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Política

Candidato à Presidência da Câmara, Júlio Delgado defende mudança para melhorar imagem da Casa

Fernanda Calgaro

Do UOL, em Brasília

21/01/2013 06h00

Mesmo sem o apoio oficial do presidente do seu partido, o deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG) decidiu concorrer à Presidência da Câmara como um nome alternativo para mudar a imagem da Câmara e adotar novas práticas no comando do Legislativo. A Câmara deve eleger no próximo dia 4 de fevereiro seu novo presidente.

A entrada de Delgado na corrida eleitoral foi patrocinada pela bancada do partido. No entanto, apesar dos esforços do deputado, ele ainda não conseguiu o aval explícito do governador de Pernambuco e presidente da legenda, Eduardo Campos.

“O Executivo passa por um bom momento de avaliação da presidenta Dilma Rousseff. O Judiciário passa por um bom momento de avaliação com o julgamento do mensalão. O Legislativo não passa por um bom momento”, afirma.

Júlio Delgado

Data de nascimento18 de novembro de 1966
NaturalidadeJuiz de Fora (MG)
Eleito por qual EstadoMinas Gerais
Histórico profissionalConsultor e advogado
FiliaçõesEstá no PSB desde 2005, com passagens pelo PMDB (1985-2001) e PPS (2001-2005)

Aos 46 anos, Delgado, que é de Juiz de Fora, está no seu terceiro mandato como deputado. Antes, porém, já havia assumido como suplente por um ano. A experiência adquirida na Casa, diz, lhe dá credenciais para assumir o lugar de presidente da Câmara, segundo cargo na linha sucessória da Presidência da República. Foi ele o relator do processo que culminou na cassação por quebra de decoro parlamentar do ex-deputado federal José Dirceu. Atualmente, é o 4º secretário da Mesa Diretora da Casa.

Formado em direito, é casado e tem dois filhos. Seu pai, Raymundo Tarcísio Delgado, também é político e foi vereador e deputado estadual, além de ter sido eleito deputado federal por três mandatos e como prefeito de Juiz de Fora, também por três vezes.

Eduardo Campos, por sua vez, tenta manter uma posição de neutralidade para não conflitar com a candidatura de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), favorito à vaga por contar com o apoio dos partidos da base de sustentação do governo Dilma. Embora o governador, cotado para suceder Dilma, tenha interesse no desgaste do PMDB, ele não parece disposto a medir forças com a legenda no momento.

Porém, diante das recentes denúncias envolvendo o nome de Alves, Delgado vê uma brecha para crescer entre os descontentes do PT e PMDB. “Imagina se tivéssemos um candidato único com essas denúncias que estão surgindo hoje? Para a imagem da Câmara, seria péssimo”, diz.

Determinado no seu propósito, Delgado mantém uma agenda cheia de reuniões e almoços com políticos para angariar votos. Só na semana passada, por exemplo, esteve em Manaus, Belém, Recife, João Pessoa e Maceió. Segundo ele, nem nas partidas de futebol que joga semanalmente com colegas o assunto sai da pauta.

Para conquistar apoio, revela ter mandado e-mail aos demais parlamentares com a seguinte frase: “Ou nós mudamos ou nós seremos mudados”, atribuída a Ulysses Guimarães. “Embora Ulysses fosse do PMDB, representou uma voz muito importante no Parlamento”, justifica Delgado.

UOL - Que avaliação faz da atual Câmara dos Deputados?

Júlio Delgado - A Câmara tem sido uma Câmara para alguns, que não vota projeto de iniciativa parlamentar. Está destoada da sociedade brasileira. Ela precisa se reencontrar com a sociedade e ter a credibilidade de volta.

De que forma?

A Câmara deve manter uma interface maior pelos meios sociais de comunicação, TV Câmara, Rádio Câmara, Twitter e internet, para que possa interagir com a sociedade. Ouvir melhor as comissões permanentes da Casa porque é onde estão os deputados e de lá vêm projetos que sintonizam o desejo da sociedade representada nos mais diversos segmentos. Ouvindo as pessoas e dando condições de participação a todos é que vamos demonstrar que a Câmara pode ser esse poder equilibrado com a República.

Isso em relação à atuação externa da Casa, mas de que maneira a Câmara deve mudar internamente?

Votando projetos de iniciativa dos deputados e dando mais espaço para o debate. Hoje, a Câmara é um espaço de monólogo. A base é forte, mas a oposição está aquém de fazer um debate que possa permitir a troca de opiniões divergentes. Isso não acontece na Casa. Vai lá, fala o líder do PT e defende a presidente Dilma e não recebe nenhum aparte. Depois, vai lá o líder do PSDB ou do DEM e critica o governo da Dilma, não dando direito ao aparte. O debate de ideias está sendo relegado porque o foco está em votar medidas provisórias e projetos de urgência, que nem sempre estão em sintonia com a vontade popular.

Que temas julga prioritários para serem analisados pelo plenário? Acha que só assuntos sobre os quais haja consenso entre os deputados devam ser colocados em votação?

A verdade é que os temas são sempre os mesmos. A gente acaba não priorizando por falta política dos líderes de fazê-lo. Fazer a reforma política em um ano não eleitoral como este, 2013, é uma proposta interessante, mas não adianta vir uma reforma política pronta e acabada. Ela tem que vir talvez fatiada em alguns pontos que possam ser decididos com consenso entre os parlamentares ou na disputa no voto. Todo mundo é a favor da PEC que altera a posse do Executivo no dia 1º, por exemplo. Então, que se faça isso de forma consensual e a parte do financiamento de campanha, sobre a qual não há consenso, que seja colocada mesmo assim em votação para haver o embate e se decidir no voto. Mas, se não fatiar, não se vota, assim como no caso da reforma tributária.

Como lidar com a morosidade da Casa?

A morosidade está quando não se vota algo por que não há consenso. A morosidade está na dinâmica da Casa. Se a dinâmica mudar, a gente tem possibilidade de dar celeridade na votação dessas matérias e tantas outras que são de interesse da população brasileira.

O que acha que pode fazer de diferente em relação aos demais candidatos?

A nossa tarefa é mostrar que aqui a maioria tem uma postura diferente, que aqui a maioria não tem condenação [na Justiça], nada que denigra a imagem. A minha preocupação é com o coletivo, não é com o individual, porque no plano individual eu tenho a satisfação do meu eleitor, mas eu quero que o parlamento esteja à estatura dos outros Poderes.

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