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Política

Sou um "perdedor", diz Pedro Taques, candidato à presidência do Senado

Camila Campanerut e Fernanda Calgaro

Do UOL, em Brasília

01/02/2013 12h29Atualizada em 01/02/2013 18h24

Em discurso na tribuna do Senado antes da votação para escolher o novo presidente da Casa, o senador Pedro Taques (PDT-MT) se classificou como "um perdedor", antevendo sua provável derrota diante do favorito Renan Calheiros (PMDB-AL). "É como um perdedor que ocupo hoje essa tribuna. Minha voz é a dos derrotados inconfidentes", afirmou, referindo-se a Tiradentes, que morreu esquartejado na Inconfidência Mineira.

Em um discurso de cerca de 15 minutos na tribuna (clique aqui para ler a íntegra), Taques afirmou que, mesmo sabendo da sua provável derrota, decidiu disputar o cargo. "Venho como alguém a quem a derrota corteja, certeira, transparente, inevitável, aritmética. Sou o titular da perda anunciada, do que não acontecerá, mas o povo do Mato Grosso não me deu voz nesta Casa para só disputar os certames que possa ganhar, mas para lutar, com todas as minhas forças, as batalhas que forem justas.”

Ele foi o nome escolhido pelo grupo dos chamados senadores independentes como alternativa a Renan, envolto em uma série de denúncias. O outro candidato independente, Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), abdicou ontem de sua candidatura em favor de Taques.

Taques afirmou que a “sociedade brasileira clama por mudança, por uma nova compreensão do papel de senador”.

O senador listou as medidas que pretende adotar caso seja eleito, incluindo a distribuição da relatoria dos projetos de lei por sorteio e a criação de uma agenda pública para que a sociedade possa acompanhar a votação de vetos. Taques questionou ainda que propostas Renan Calheiros teria a oferecer neste sentido.

“Como farão os vencedores? Que já venceram antes e nada fizeram?”, indagou.

Durante o seu discurso em pregou ética na vida pública, Taques fez ataques ao Poder Executivo, por conta do envio excessivo de medidas provisórias ao Parlamento, e criticou senadores que se envolveram em denúncias.

“A ética que proclamo, senador Collor, é aquela que quase todos os brasileiros se orgulham de cultivar. Eu não temo o próprio passado e, portanto, não tenho medo do meu futuro”, disse.

“Falo pelos derrotados deste país, todos os que ainda não conseguiram seus direitos básicos, as mulheres, senadora Lídice da Mata, os índios, senador Wellington Dias, as crianças, senadora Ana Rita, os negros, senador Paulo Paim, os assalariados, senador Jayme Campos, os sem casa, senador Rodrigo Rollemberg, os sem escola, senador amigo Cristovam Buarque.”

Senador em primeiro mandato, Taques ficou em evidência durante a CPI do Cachoeira, da qual era integrante. Após oito meses de investigações acerca das relações do contraventor Carlos Cachoeira com empresários e políticos, porém, membros da comissão fecharam um acordo e decidiram rejeitar o relatório oficial de Odair Cunha (PT-MG). No relatório alternativo que acabou aprovado, de apenas duas páginas, apresentado pelo deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF), não foi pedido o indiciamento de nenhum suspeito de participar do suposto esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal.

Na época, Taques criticou a maneira como a CPI acabou e disse que "o que fica é o cheiro da pizza misturado com o cheiro podre da corrupção".

Votação

Para eleger o novo presidente, deverão estar presentes pelo menos 41 senadores – ou seja, a maioria dos 81. A eleição ocorrerá em turno único, e só haverá nova votação no caso de se registrar um empate entre dois ou mais candidatos.

Uma vez concluída a eleição, o novo presidente, que presidirá também o Congresso Nacional, será imediatamente chamado a ocupar a Mesa e poderá, mais uma vez, fazer uso da palavra.

Logo em seguida, o presidente eleito promoverá uma segunda reunião preparatória para a eleição dos demais membros da Mesa. Serão escolhidos dois vice-presidentes, quatro secretários e quatro suplentes. Concluída essa segunda parte da eleição, será convocada a primeira sessão deste ano do Congresso Nacional, marcada para a segunda-feira (4), a partir das 16h.

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