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Kassab recebe lugar de destaque em festa do PT e é vaiado por militância

A ex-primeira-dama, Marisa Letícia, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff na festa do PT; ao fundo, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab - Jorge Araujo/Folhapress
A ex-primeira-dama, Marisa Letícia, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff na festa do PT; ao fundo, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab Imagem: Jorge Araujo/Folhapress

Camila Neuman

Do UOL, em São Paulo

20/02/2013 19h46

O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab foi vaiado pela militância petista presente à festa  de comemoração dos dez anos do partido no governo, realizada na noite desta quarta-feira (20), no hotel do parque Anhembi, zona norte da capital paulista.

O líder do PSD foi colocado em lugar destaque do evento, ao lado de outros aliados do partido. A mesa dos aliados, sobre um palco, foi montada atrás da mesa com as lideranças petistas.  Ao ser chamado para compor a mesa, Kassab recebeu vaias efusivas dos presentes.

Antes de fundar o PSD, Kassab integrou o DEM, inimigo histórico do PT, e era apoiado pelo PSDB de José Serra. Após fundar a sigla, em 2011, o ex-prefeito buscou aproximar-se com o PT. Atualmente, o PSD integra a base de sustentação do governo federal e do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. 

"O governo [do PT] trouxe para o Brasil avanços extraordinários. O povo brasileiro reconhecidamente vive muito melhor. O povo hoje tem acesso a programas sociais. O PSD se sente muito confortável em estar aqui presente em trazer aqui esse apoio. Parabéns à militância petista, aos dirigentes petistas, parabéns ao presidente Lula, à presidente Dilma", disse Kassab.

Depois de afagar o PT, o ex-prefeito chegou a receber algumas palmas, mas também ouviu gritos de "Fora Kassab".

 

Na mesma mesa de Kassab estão também os ex-ministros, demitidos por Dilma Carlos Lupi (PDT) e Alfredo Nascimento (PR), os senadores Eduardo Lopes (PRB), Robson Amaral (PTN) e Valdir Raupp (PMDB)além de Renato Rabelo, presidente do PCdoB.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com terno cinza claro e uma gravata com as cores do Brasil, integra a mesa petista, assim como presidente, que está de vermelho.

Na mesma mesa estão os governadores Agnelo Queiroz (Distrito Federal), Jaques Wagner (Bahia), Marcelo Déda (Sergipe), Tião Viana (Acre) e o prefeito Haddad, que, a exemplo de Lula e Dilma, foi muito aplaudido. 

Dirceu, Genoino e Cunha

José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha, condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento do mensalão, tiveram uma recepção calorosa por parte da militância do PT na festa

Genoino e Cunha, ambos deputados federais, chegaram ao local por volta das 18h30, por uma porta a qual a imprensa não teve acesso. A militância petista recepcionou ambos com abraços. Os presentes formaram uma fila com aproximadamente 30 pessoas para cumprimentar Genoino. Dirceu chegou por volta de 19h, e sua presença também foi festejada pelos presentes. O ator global José de Abreu, amigo de Dirceu que irá se filiar ao PT, o acompanhou na chegada.

Assim como ocorreu com Genoino, militantes do partido formaram uma longa fila para abraçar Dirceu. Por volta de 19h20, chegaram os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Gilberto Carvalho (secretaria-geral da Presidência), Aloizio Mercadante (Educação) e Alexandre Padilha (Saúde), que passou por Dirceu sem cumprimentá-lo.

Outros petistas históricos, como Benedita da Silva, Luiz Dulci, Professor Luizinho e Marcelo Déda, já estão no evento.

O espaço onde ocorre a festa, com capacidade para 850 pessoas, não foi suficiente para abrigar todos que se dirigiram ao local. Um espaço anexo, equipado com telão, foi montado para cerca de 400 presentes. Segundo a organização, mais de mil pessoas acabaram ficarando do lado de fora. 

Organizado pela direção nacional do partido, o ato terá a presença da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de membros do Diretório Nacional e da Executiva do partido.

Em janeiro de 2003, o ex-presidente Lula chegou à Presidência da República, cargo no qual permaneceu por oito anos, até conseguir eleger sua sucessora --Dilma Rousseff, que foi empossada em 2011. O evento também vai comemorar os 33 anos do partido, fundado em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo.

O cartaz do evento estampa os rostos de Lula e Dilma e a frase “o decênio que mudou o Brasil”. No convite, o partido conclama para as “comemorações dos dez anos do Governo Democrático e Popular”.

O ato petista acontece um dia depois de Dilma anunciar a inclusão de 2,5 milhões de beneficiários do Bolsa Família, programa criado no governo Lula. Para isso, o governo anunciou a elevação da renda doada para mais de R$ 70 por pessoa das famílias agraciadas com a renda – o valor é considerado limite para a pobreza absoluta.

A erradicação da pobreza extrema é uma promessa eleitoral de Dilma. Os recursos para o aumento dos beneficiários somarão R$ 733 milhões aos cofres públicos.

"O Brasil vira uma página decisiva na longa história, na nossa longa história de exclusão social. Nela está escrito que mais 2,5 milhões brasileiros estão deixando a extrema pobreza", afirma a presidente Dilma Rousseff durante a cerimônia de anúncio da nova medida. "Por não termos abandonado o nosso povo, a miséria está nos abandonando.”, disse Dilma durante o pronunciamento em Brasília.

FHC diz que PT faz ‘picuinha’

As declarações de Dilma irritaram a oposição, em especial os tucanos. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso gravou um vídeo no qual declarou que o PT faz “coisa de criança” e “picuinha” ao criticar governos passados. Em trecho do vídeo, FHC diz que “Eles pensam que o Brasil começou agora. Não começou. No meu governo, eu mudei o rumo do Brasil, que estava muito desorganizado”.

“ Mas eu sei reconhecer o que no passado se fez de bom no Brasil. E cada vez que o PT acerta, meu Deus, é bom para o Brasil. O mal é quando ele erra. Quando atrapalha a Petrobras, atrapalha a Eletrobras”, critica.

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) também criticou, no plenário do Senado, em Brasília, o discurso da presidente Dilma Rousseff sobre a redução da pobreza no Brasil.

"Hoje, parece que voltamos às estatísticas anteriores à chegada do governo do presidente Lula. A presidente afirmou que Lula tirou 36 milhões [da linha de extrema pobreza], e agora ela (...) deseja ir além, quer encontrar mais 2,5 milhões, que somados aos 19,5 milhões que ela mesma teria retirado da pobreza dá 58 milhões de pessoas que se encontrariam, segundo as diferentes versões do PT, em condições de extrema pobreza", afirmou o senador paulista.

O líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN), advertiu sobre a possibilidade de os programas assistenciais do governo federal resultarem em acomodação da população que poderia se "habituar a receber favores do governo".

A rápida artilharia oposicionista pode estar só começando, já que o PT pretende alinhar um discurso de confronto entre as gestões petista e tucana nas próximas reuniões de lideranças.

O evento desta quarta abrirá uma série de debates sobre a gestão petista que deverão passar pelas demais regiões do país. Paulo Frateschi, secretário nacional de organização do PT, explica que o objetivo dos seminários é “construir uma narrativa própria do PT juntamente com seus militantes, sobre a chegada à Presidência da República e as mudanças desempenhadas durante estes 10 anos”.

Mas discussões sobre o mensalão --denúncia de compra de parlamentares durante o governo Lula – estão fora de questão, segundo o presidente da sigla, Rui Falcão. Para ele, o momento é  para “celebrar políticas públicas”.

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