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Nunca cometi crimes e estou tranquilo, diz Genoino após acórdão do mensalão

O deputado federal José Genoino (PT-SP) discursa na Câmara dos Deputados nesta terça-feira - Pedro Ladeira/Folhapress
O deputado federal José Genoino (PT-SP) discursa na Câmara dos Deputados nesta terça-feira Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Camila Campanerut

Do UOL, em Brasília

23/04/2013 16h44

O deputado federal José Genoino (PT-SP) disse na tarde desta terça-feira (23) que não sente indignação nem pressão popular daqueles que condenam sua manutenção na Câmara mesmo após ele ter sido condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) pela participação no esquema do mensalão.

“Que pressão? Não tem pressão nenhuma. Estou tranquilo. Cabeça serena da inocência”, afirmou ao UOL pouco antes de início da reunião da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania) da Câmara, da qual é membro.

O ex-presidente nacional do PT foi condenado pela Suprema Corte em dezembro passado por corrupção ativa e formação de quadrilha com pena de 6 anos e 11 meses, além do pagamento de multa. A pena dele inclui a perda dos direitos políticos e, em consequência, a perda do mandato parlamentar.

A execução da punição só acontece depois de votados os recursos.

“Este deputado não cometeu crime. Pode olhar no meu olho. Este deputado não cometeu crime. Mora na mesma casa há 28 anos. Moro no hotel Torre (quando está em Brasília)”, acrescentou o parlamentar.

Na semana passada, o parlamentar foi alvo de protesto de evangélicos que pediam a sua saída da comissão em retaliação à pressão pela renúncia de Marco Feliciano (PSC-SP) da Comissão de Direitos Humanos.

“Eu tenho a minha consciência, porque eu nunca cometi crimes. Essa é minha consciência. Processos? A gente se defende.  Aí você fala com o meu advogado”, continuou Genoino, adotando o mesmo tom de quando assumiu o mandato, no início do ano.

“Os empréstimos que eu assinei foram legais, foram pagos judicialmente. Eu sempre tive uma vida modesta nesta Casa (referindo-se à Câmara)”, acrescentou Genoino.

“O que vale nesses momentos é consciência da tua verdade e não o que os outros podem julgar”, declarou.

Questionado sobre as novas investigações da Polícia Federal depois do depoimento de Marcos Valério afirmando que houve participação do ex-presidente Lula, Genoino não quis comentar. “Liga para ele. Eu vou ser porta-voz [dele]?"

Acórdão

Com a publicação do acórdão nesta segunda-feira (22), o prazo para a entrada dos embargos de declaração começou hoje e termina no próximo dia 2 de maio.

Veja curiosidades sobre o acórdão do julgamento

O defensor de Genoino, o advogado Luiz Fernando Pacheco, disse que há falhas no processo e vai questionar as omissões de provas no julgamento que atestem o envolvimento de seu cliente.

“O acórdão foi omisso principalmente porque não aponta em que circunstâncias o Genoino teria participado da formação de quadrilha nem aponta quando, onde e o porquê ele teria praticado corrupção ativa. São os principais pontos que a gente vai atacar”, disse o advogado.

Na denúncia do Ministério Público, Genoino era apontado como interlocutor político da quadrilha, participando de reuniões com dirigentes dos partidos da base aliada e foi, ao lado do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, avalista formal de empréstimos simulados pelo núcleo de Marcos Valério ou pelo próprio PT junto ao Banco Rural e BMG.

À época, a defesa de Genoino argumentava que os empréstimos foram tomados por Delúbio e caberia a Genoino apenas assiná-los por ser presidente da legenda na ocasião.

Genoino continuará no cargo até que todos os seus recursos do caso sejam julgados e não couberem mais embargos. Além do petista, estão na mesma situação os deputados João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT). 

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