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Ex-contadora diz que Youssef recebeu R$ 2 mi da Engevix com notas frias

Paulo Lisboa/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo
A ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza Imagem: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

Bruna Borges

Do UOL, em Curitiba

2015-02-03T16:32:14

2015-02-04T11:06:45

03/02/2015 16h32Atualizada em 04/02/2015 11h06

A ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, disse nesta terça-feira (3) que uma empresa de fachada do doleiro, chamada GFD, emitiu dez notas no valor de R$ 213,2 mil cada uma, que foram pagas pela empreiteira Engevix, mas sem que os serviços descritos na nota fossem prestados.

“Ela [GFD] não fazia a prestação de serviços. A empresa tinha a administração dos hotéis e da [agência de turismo] Marsans Brasil, mas de fato o tipo de serviços que foram escritos nas notas não foram prestados”, disse Meire.

Meire é uma das testemunhas arroladas nos processos contra empreiteiros suspeitos de participar do esquema de pagamento de propina para facilitar o fechamento de negócios com a Petrobras. Ela depôs hoje na Justiça Federal do Paraná em Curitiba.

As notas frias, que somam R$ 2.132.000, foram emitidas pelo escritório de Meire. Segundo ela, o pagamento foi debitado, mas ela disse não se lembrar qual o banco usado para a operação. Também afirmou que um dos serviços descritos na nota poderia ser, por exemplo, consultoria para estudo de viabilidade de se instalar uma plataforma de petróleo.

“Essas notas comprovam que as empreiteiras por algum motivo deviam algum valor para o Alberto”, disse Meire.

Questionada sobre se ela pode comprovar que o valor pago a Youssef seria usado para pagar propina a políticos, Meire afirmou não ter essa informação.

“Sobre o caso que foi questionado hoje, Alberto dizia: ‘eu vou emitir essa nota e esse valor a Engevix me deve’. Mas eu nunca perguntei do quê”, afirmou Meire.

A contadora não responde a nenhum processo, mas tem colaborado com as investigações da Polícia Federal desde o ano passado. Ela também participou de audiência pública no Congresso Nacional no ano passado no processo sobre o então deputado Luiz Argôlo (SD-BA), que teria relações com Youssef.

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