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O que levou um senador do PT a votar por manter prisão de Delcídio?

Senador Paulo Paim (PT-RS) justifica voto contra colega de partido: "Senado tinha que contribuir para as investigações" - Waldemir Barreto - 1.dez.2014/Agência Senado
Senador Paulo Paim (PT-RS) justifica voto contra colega de partido: "Senado tinha que contribuir para as investigações" Imagem: Waldemir Barreto - 1.dez.2014/Agência Senado

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

26/11/2015 18h46Atualizada em 26/11/2015 19h05

Paulo Paim (PT-RS) é um dos dois únicos senadores do PT, de uma bancada de 13, que votaram pela manutenção da prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). O outro foi seu colega de legenda Walter Pinheiro (BA). Para ambos, não foi uma decisão fácil.

Mas, segundo Paim, o Senado não poderia atrapalhar as investigações do STF (Supremo Tribunal Federal) num momento de crise “ética e moral”, nas palavras do senador.

“Nós achamos que o Senado, nesse momento da história, em que o país passa uma crise política, social, econômica, ética e moral, o Senado tinha que contribuir para as investigações”, disse Paim, em entrevista ao UOL.

E é por isso que a votação foi tão grande. Foi uma visão suprapartidária, e ali não estava em xeque quem é de oposição e quem não é de oposição. Foi uma visão olhando para a Casa [o Senado]. Os homens e as mulheres passam, a instituição fica

Paulo Paim, senador do PT-RS

A prisão de Delcídio foi confirmada pelo Senado por 59 votos a 13. Pela Constituição Federal, cabe ao Senado a última palavra quando um senador é preso. A Constituição também determina que parlamentares só podem ser presos em caso de flagrante por crime inafiançável.

Foi por isso que, na noite da quarta-feira, os senadores tiveram que decidir sobre o caso de Delcídio do Amaral. O senador foi preso na manhã daquele dia, por ordem do STF, acusado de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. Delcídio teria tentado subornar o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para que ele não relatasse à Justiça fatos que pudessem implicar o senador no esquema de corrupção na Petrobras.

Para Paim, o voto pela manutenção da prisão não significa um julgamento prévio do senador, que ainda terá o direito a apresentar sua defesa.

“O nosso voto não foi julgando o senador Delcídio do Amaral. Apesar de as provas que chegaram aqui, todos os senadores, tanto da base como de oposição, reconhecem que as provas são contundentes. É grave o que está ali”, afirma.

Paim não quis externar sua opinião sobre a posição da bancada do PT, que defendeu o relaxamento da prisão do senador e também que a votação no Senado fosse por meio do voto secreto. Por decisão do plenário, por 52 votos a 20, a votação foi aberta.

Na decisão sobre a forma de votação, Paim também foi na contramão do seu partido. “Cheguei aqui na Constituinte. Desde lá sempre defendi o voto aberto. Não vai ser na hora que não é de interesse do partido que vou mudar meu ponto de vista”, disse.

‘Está doendo até agora’, disse Pinheiro

Uma troca de mensagens por um aplicativo de celular entre Paim e Walter Pinheiro, revelada pela agência "Estadão Conteúdo”, os senadores mostraram-se consternados com a votação da quarta-feira.

"Foi duro, mas foi acertada a nossa posição", disse Pinheiro. "De fato, está doendo até agora", respondeu Paim, segundo reprodução da conversa feita pela agência. No diálogo, Paim definiu o clima no Senado como de “tristeza e constrangimento”.

O senador tem dito que até o final do ano deverá se desfiliar do PT, mas que ainda não está definido para qual partido deve migrar. Segundo Paim, caso do senador Delcídio não teria influenciado sua decisão.

A reportagem do UOL não conseguiu entrar em contato com o senador Walter Pinheiro (PT) na tarde desta quinta-feira (25).

A senadora Fátima Bezerra (PT-RN) não participou da votação por estar em viagem de missão oficial da ONU (Organização das Nações Unidas) ao Nepal.

Política