Operação Lava Jato

Marqueteiro do PT fez campanha de Chávez e é investigado por dinheiro de Angola

Do UOL, em Brasília

Alvo da Operação Lava Jato, o marqueteiro João Santana já trabalhou em diversas campanhas do PT e possui uma atuação vitoriosa em países da América Latina.

Além da investigação que envolve campanhas do PT, objeto da 23ª fase da Lava Jato, o trabalho de Santana na disputa pela Presidência de Angola, em 2012, também é investigado pela Polícia Federal, num inquérito relacionado à eleição do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT).

Santana, que foi responsável pelas campanhas presidenciais de Lula (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014), foi alvo de um mandado de prisão e teve seus escritórios revistados pela Polícia Federal nesta segunda-feira (22). O publicitário está na República Dominicana, onde trabalha na reeleição do presidente Danilo Medina.

Ele é suspeito de ter recebido em contas no exterior dinheiro de caixa 2 para as campanhas do PT. A Polícia Federal informou que Santana teria conhecimento que o dinheiro era de origem ilegal.

O advogado de Santana, Fábio Toufic, informou que se pronunciará na tarde desta segunda-feira sobre as suspeitas e sobre o retorno de Santana ao país para se apresentar às autoridades.

Campanhas

Após a reeleição do ex-presidente Lula em 2006, Santana trabalhou em outras sete campanhas presidenciais vitoriosas, incluindo as duas eleições de Dilma. Em 2012, ele ajudou a reeleger o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez e, em 2013, atuou pelo sucessor de Chávez, o atual presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Presidência da Venezuela/AFP
A campanha à reeleição de Hugo Chávez na Venezuela em 2012 foi feita por Santana

Santana também ajudou a eleger Medina em 2012 na República Dominicana e trabalhou na campanha vitoriosa de Maurício Funes à Presidência de El Salvador, em 2009. Em Angola, foi o marqueteiro do presidente José Eduardo dos Santos, em 2012.

Ele também atuou em sete campanhas de candidatos ao Legislativo na Argentina, entre 2003 e 2007.

No Brasil, Santana foi o marqueteiro das campanhas de Delcídio do Amaral (PT-MS) ao Senado, em 2002, e de Gleisi Hoffmann (PT) e Marta Suplicy (PT) às prefeituras de Curitiba e São Paulo, respectivamente, em 2008.

Investigação anterior à Lava Jato

Além do investigado na 23ª fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal possui um inquérito para investigar se Santana teria atuado numa operação de lavagem de dinheiro para o PT ligada à atuação dele na campanha eleitoral do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, em 2012. Naquele mesmo ano, o publicitário também fez a campanha do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT).

Fabiano Cerchiari/UOL
Santana trabalhou na campanha (foto) de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo em 2012

Após a campanha, Santana transferiu para suas contas no país US$ 16 milhões (R$ 33 milhões no câmbio da época). A PF apura se os recursos foram pagos ao marqueteiro por empreiteiras brasileiras que atuam em Angola, como uma forma indireta de o PT quitar dívidas que tinha com o marqueteiro, que recebeu R$ 36 milhões (valor corrigido pela inflação) pela campanha de Haddad.

No entanto, ele só recebeu a maior parte do dinheiro depois da eleição. A campanha de Haddad terminou a disputa com uma dívida de R$ 20 milhões com a empresa de Santana.

O publicitário afirmou, na época, que a suspeita de lavagem de dinheiro não fazia sentido, pois a transferência do dinheiro foi feita dentro da lei e declarada às autoridades brasileiras. Segundo Santana, os recursos foram pagos pela campanha que o contratou em Angola, e a dívida da campanha de Haddad foi paga pelo próprio PT.

Outro lado

Em nota, a assessoria de imprensa da Polis Propaganda, agência do marqueteiro e de sua mulher, informa que hoje "o advogado do jornalista e publicitário João Santana, Fábio Toufic, divulgará um comunicado esclarecendo a posição de seu cliente em relação à operação feita hoje pela Polícia Federal".

O presidente do PT, Rui Falcão, afirmou nesta segunda-feira que, no que diz respeito ao PT, todas as doações e contas de campanha foram feitas dentro da lei e aprovadas pela Justiça Eleitoral.

"Do ponto de vista do PT, as nossas declarações foram apresentadas à Justiça Eleitoral, e todas as nossas doações são legais e declaradas à Justiça Eleitoral", disse Falcão.

Questionado por jornalistas sobre a suspeita investigada pela Polícia Federal de que os depósitos a Santana no exterior seriam, na verdade, pagamentos por serviços prestados ao PT, o dirigente do partido disse que é preciso que sejam apresentadas provas que as fundamentem.

"Aqui, de tempos recentes, quem acusa não tem mais que provar. Eu continuo defendendo direitos fundamentais de que quem acusa tem que provar, e as pessoas são inocentes até prova em contrário", afirmou.

Falcão conversou com jornalistas após evento na sede do partido em Brasília para a apresentação do programa de TV da legenda.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos