Alan Marques/Folhapress

Processo de impeachment

Protesto em frente à ONU tem "PT, excuse me" e "se empurrar o Cunha cai"

Nilton Carauta

Colaboração para o UOL, em Nova York

Grupos de brasileiros a favor e contra o impeachment dividiram o mesmo espaço e protestaram com faixas e cartazes na manhã desta sexta-feira (22), em Nova York, poucas horas antes de a presidente Dilma Rousseff discursar na cerimônia de assinatura do Acordo de Paris sobre a Mudança do Clima, nas Nações Unidas.

As manifestações foram pacíficas, registrando algumas trocas de provocações. Os grupos chegaram a ficar frente a frente, em locais separados, nos arredores do complexo da ONU.

Em um dado momento, segundo manifestantes favoráveis ao impeachment, que estavam em menor número, pessoas do outro grupo tentaram invadir o local destinado ao lado anti-Dilma. "Eu tinha a autorização da polícia. Aqui é nosso. PT, excuse me", disse uma mulher que disse ter acertado com a polícia a presença na área, que ficou isolada por cercas. 

Nilton Carauta/UOL
Miriam Marques e Plaucio Pucci, brasileiros contra e a favor do impeachment

"Trouxemos flores para mostrar que não temos raiva de ninguém. Toda essa movimentação política tem tomado um tom muito agressivo. Queremos defender a democracia, levantar problemas, mas sem luta física", afirmou a historiadora Flavia Veras, que assistiu ao discurso de Dilma pelo celular ao lado do grupo formado por cerca de 50 pessoas. "Estamos aqui por duas causas universais e apartidárias, que são o clima e os direitos democráticos, que lutamos tanto para conseguir", afirma Frederico Erino, estudante de doutorado em Nova York.

O grupo alegava a existência de um "golpe" em curso no Brasil e também pedia a saída do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com cantos como "quem não pula, apoia o Cunha" e "ai ai ai ai ai, se empurrar o Cunha cai". 

"Contra o Cunha pesam acusações de que ele tem contas em bancos suíços no valor de US$ 24 milhões", diz Miriam Marques, uma das coordenadoras do comitê Defend Democracy in Brazil ("defesa da democracia no Brasil"). "Reparem que o impeachment foi aberto imediatamente após o PT e aliados se recusarem a votar a favor do presidente da Câmara", afirmou, lembrando o momento em que Cunha aceitou a denúncia contra Dilma, após o PT anunciar posição contrária a Cunha no Conselho de Ética.

Já o lado pró-impeachment, com cerca de 30 pessoas, defendia a saída de Dilma e afirmava que ela cometeu crime de responsabilidade. Além de segurar cartazes apontando o que seriam os crimes de Dilma, o grupo também respondeu aos gritos do outro lado. Um homem, vestido de militar, chegou a distribuir mortadelas em provocação ao grupo contra o impeachment.

"Vim de San Diego, na Califórnia. Tem brasileiro aqui dos EUA inteiro. A galera veio para mostrar que essa senhora veio mentir para imprensa internacional, assim como ela mente para os seus eleitores. Não queremos que o mundo seja enganado, assim como nós fomos. Estamos defendendo também a Operação Lava Jato e dando apoio irrestrito ao juiz Sergio Moro", afirma o produtor Plaucio Pucci, de 46 anos.

Houve também quem aproveitasse uma viagem de turismo para protestar. Foi o caso da advogada mineira Denise Cruz, de 25 anos. "Acordei 7h30 e gastei meu único dia na cidade para protestar", disse ela.

Na ONU, Dilma diz que Brasil saberá impedir retrocesso

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