Processo de impeachment

Dilma se exalta com pergunta sobre "incompetência" feita por jornalista da Al Jazeera

Do UOL, em São Paulo

A ex-presidente Dilma Rousseff se exaltou com questionamentos feitos pelo jornalista Mehdi Hasan, do programa "UpFront", da rede de televisão Al Jazeera, do Catar. Um vídeo divulgado nesta sexta-feira (16) na página do programa no Facebook mostra uma parte da conversa entre os dois, que aconteceu no Rio de Janeiro, onde a ex-presidente vive desde que deixou o Palácio do Planalto, em agosto deste ano, após sofrer um processo de impeachment.

A íntegra da entrevista para o UpFront será veiculada nesta sexta, às 17h30 (horário de Brasília).

No trecho, Hasan diz a Dilma que algumas pessoas dizem que se ela sabia o que estava acontecendo dentro da Petrobras, ela seria cúmplice; se ela não sabia, seria incompetente, e conclui perguntando quais das duas opções é a verdadeira. Exaltada, a ex-presidente afirma que o questionamento é "um tipo de escolha de Sofia". "Há uma diferença, e há no mundo inteiro, entre um conselho e uma diretoria executiva. Nem todos os membros da diretoria sabiam que aqueles diretores da Petrobras tinham mecanismos de corrupção e estavam se enriquecendo de forma indevida", responde.

Dilma ocupou o posto de presidente do Conselho de Administração da Petrobras entre 2003 e 2010. Na época, ela era ministra das Minas e Energia do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O TCU chegou a propor o bloqueio de bens da ex-presidente e dos ex-integrantes do conselho, em setembro deste ano. 

Em outro trecho, o jornalista questiona se Dilma nega que os "dedos do PT, incluindo o Tesouro, o seu próprio estrategista do partido, e ex-chefe de gabinete", estavam implicados no escândalo da Petrobras. A ex-presidente afirma que ela não julgará enquanto eles não forem julgados. "Não é meu papel aqui julgar ninguém".

Em outro momento da entrevista, que não aparece no vídeo de divulgação do UpFront, Dilma Rousseff chama o atual presidente do Brasil, que foi seu vice, Michel Temer (PMDB), de "traidor" e presidente ilegítimo", além de demonstrar apoio a novas eleições diretas. "Eu nunca esperei que ele fosse um traidor, mas ele é um traidor. Ele não me traiu como pessoa, me traiu como presidente do Brasil. Ele traiu uma instituição e, além disso, traiu uma campanha", afirma. 

Dilma expressou seu apoio a novas eleições diretas antes das marcadas para 2018. "Eu acredito que o componente chave da atual luta no Brasil hoje é um retorno às eleições livres para a presidência. Nós devemos eleger um novo presidente da República para que esse golpe seja efetivamente bloqueado", diz. 

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