Teori: o que é real nas teorias conspiratórias que enlouquecem a internet

Do UOL, em São Paulo

  • Xinhua/Jales Vaquer/Fotoarena/Zumapress

Logo após a notícia da morte do ministro do STF (Superior Tribunal Federal) Teori Zavascki, uma onda de teorias da conspiração tomou conta das redes sociais. Os boatos tratam desde os áudios do senador Romero Jucá (PMDB-RR) aos possíveis documentos da Lava Jato que o magistrado estaria levando no avião.

Aqueles que acreditam que o ministro foi assassinado temem os reflexos negativos no andamento da operação, já que o magistrado era o relator do caso e se preparava para homologar as delações premiadas de 77 executivos da Odebrecht. Os documentos trazem cerca de 900 fatos criminosos envolvendo diversos políticos, entre eles: o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, o secretário de Parceiras de Investimentos, Moreira Franco (PMDB-RJ), os senadores José Serra (PSDB-SP), Aécio Neves (PSDB-MG), Jucá e Renan Calheiros (PMDB-AL), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, entre outros parlamentares.

Até o momento, no entanto, nenhuma das teorias trouxe nada de concreto. O que se sabe é que a aeronave prefixo PR-SOM, modelo Hawker Beechcraft King Air C90 caiu no mar por volta das 13h30 da última quinta-feira (19), próximo ao aeroporto de Paraty, num dia de muita chuva. Quatro pessoas, além de Teori, estavam a bordo: Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, 69, dono do avião e do hotel Emiliano, o piloto Osmar Rodrigues, 53, a professora Maria Hilda Panas, 55, e a filha dela, Maíra Panas, 23, estudante de fisioterapia e massoterapeuta. Todos morreram.

1. Teori levava a bordo documentos da Lava-Jato

Nas redes sociais passaram a surgir afirmações de que a bordo do avião estavam documentos originais da Operação Lava Jato --parte dos papéis estaria num cofre do Supremo, mas outra estaria com o ministro e teriam afundado com o avião sem cópias. A informação, no entanto, ainda não foi confirmada por nenhum órgão oficial. 

2. Filho de Zavascki fez "alerta" no Facebook

Reprodução/Facebook
Um antigo post no Facebook do filho de Teori, Francisco Zavascki, voltou a ser lembrado. Na ocasião, em maio de 2016, ele fazia um "alerta" sobre perigos que sua família poderia correr por causa da Lava Jato.

"É óbvio que há movimentos dos mais variados tipos para frear a Lava Jato. Penso que é até infantil imaginar que não há, isto é, que criminosos do pior tipo (conforme Ministério Público Federal afirma) resolveram se submeter à lei. Porém, alerto: se algo acontecer com alguém da minha família, vocês já sabem onde procurar. Fica o recado", escreveu.

Na época, no entanto, Teori Zavascki minimizou o fato. O então ministro do STF afirmou não ter recebido "nada sério", sem dar detalhes sobre as ameaças.

Em entrevista à Agência Brasil, após o acidente, Francisco Zavascki afirmou não cogitar uma sabotagem como causa do acidente que vitimou seu pai. "Eu realmente temia, mas agora isso não está passando pela cabeça de ninguém. Acho que fatalidades acontecem. Paraty, chuva. O avião arremeteu, e é isso aí. Deu zebra".

3. Foto do avião foi vista quase 2.000 vezes em janeiro

Reprodução
No último dia 3 de janeiro, o avião que caiu em Angra dos Reis recebeu 1.885 consultas no site "Jet Photos", que possui um amplo banco de dados sobre aeronaves. Isso é real e pode ser constatado por qualquer pessoa que acessar a página. Mas não dá para saber o que isso significa.

O curioso é que nos últimos 30 dias, a aeronave prefixo PR-SOM, modelo Hawker Beechcraft King Air C90, não recebeu nenhuma consulta sequer durante 27 dias – ela foi consultada duas vezes em 23 de dezembro e três vezes em 1º de janeiro.

A informação sobre o alto número de consultas à aeronave partiu do jornalista Claudio Tognolli. A Polícia Federal ainda não confirmou se está investigando algo neste sentido.

Consultada pelo UOL, a Polícia Federal disse não fornecer informações sobre suas investigações, "uma vez que se trata de trabalho policial".

4. "É um cara fechado", disse Jucá em áudio

Alan Marques/Folhapress
A polêmica conversa veio a público no final de maio do último ano, durante o processo que resultou no impeachment da presidente Dilma Rouseff (PT).

Em diálogo com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, Jucá sugere que uma "mudança" no Governo Federal levaria a um pacto para "estancar a sangria" da Lava Jato e chega a citar Teori Zavascki. 

"Um caminho é buscar alguém que tem ligação com o Teori [Zavascki, relator da Lava Jato], mas parece que não tem ninguém", disse Machado.

"Não tem. É um cara fechado, foi ela [Dilma] que botou, um cara... Burocrata da... Ex-ministro do STJ [Superior Tribunal de Justiça]", afirmou Jucá.

O trecho da conversa viralizou nas redes sociais desde a notícia do acidente, já que Machado e Jucá eram investigados na operação que tinha Teori como relator. Ou seja, o magistrado tinha o poder de homologar delações e ditar o ritmo dos processos sobre o esquema de corrupção que envolviam pessoas com foro privilegiado --ou seja, deputados, senadores e ministros.

Em maio, Teori homologou a delação de Machado, que tem menções ao presidente da República, Michel Temer, e a políticos de PMDB, PSDB, PP e PT.

Com a morte de Teori, caberá a Temer indicar um novo ministro para o Supremo. O nome terá que ser aprovado pelo Senado, onde há 11 investigados na Lava Jato --entre eles Jucá

Em suas redes sociais, o senador Romero Jucá publicou uma nota de pesar pela morte de Zavascki. "O falecimento do ministro Teori Zavascki é uma grande perda para o país, em especial para a Justiça brasileira. O ministro sempre desempenhou um trabalho com precisão técnica e discrição necessária. Todos nós lamentamos a perda e estamos solidários à família, amigos e admiradores", escreveu.

PF abre inquérito para investigar morte de ministro do STF

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