Dono da JBS diz que Mantega distribuía propinas a políticos do PT, diz jornal

Do UOL, em São Paulo

  • Sergio Lima/Folhapress

O dono da JBS, Joesley Batista, afirmou à PGR (Procuradoria-Geral da República) que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega distribuía propinas a parlamentares petistas oriundas do grupo empresarial. A informação foi divulgada pelo jornal "O Globo" nesta quarta-feira (17).

De acordo com a publicação, as informações fazem parte de uma delação de Joesley que ainda não foi homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O depoimento do empresário foi dado à PGR em abril e, no dia 10 passado, o conteúdo foi comunicado ao ministro do Supremo Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte.

Joesley contou em sua delação, segundo a reportagem, que Mantega era o seu elo com o PT. O empresário relatou que existia uma espécie de conta corrente para o PT na JBS. Sendo que o ex-ministro fazia o papel de intermediários e fazia o pagamento de propinas para parlamentares petistas. O empresário afirma que o ex-ministro entregava o dinheiro para políticos e não mantinha os valores para si. 

Na delação, Joesley também diz que Mantega exercia influência nas decisões do BNDES em favor da JBS. 

Ainda segundo O Globo, Joesley disse aos procuradores que Luciano Coutinho, o presidente do BNDES durante a maior parte dos governos do PT, era duro nas negociações. Mas admite que às vezes se reunia com Coutinho e parecia que Mantega, com quem tratava de propinas para o PT, já antecipara os assuntos da JBS para ele.

O UOL está tentando contato com a assessoria de imprensa de Guido Mantega.

Temer foi gravado

Segundo o jornal O Globo, Joesley Batista também disse à PGR ter gravado uma conversa com Michel Temer, em março deste ano, em que o presidente supostamente da República dá aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Joesley Batista, um dos donos da JBS, encontrou Temer no dia 7 de março no Palácio do Planalto. O empresário registrou a conversa com um gravador escondido. Em um trecho, Joesley inicia um diálogo sobre o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Após perguntar qual era a atual relação entre Temer e o ex-deputado, o empresário diz que zerou "tudo o que tinha de pendência" com Cunha. Mais para frente, no diálogo, Joesley afirmou: "eu tô bem com o Eduardo". Ao que Temer respondeu: "e tem que manter isso, viu". O diálogo, porém, tem trechos inaudíveis, tornando inconclusiva uma possível referência a um aval de Temer aos pagamentos mensais.

Por volta das 21h30 desta quarta-feira, o Palácio do Planalto emitiu nota em que nega envolvimento do presidente em uma tentativa de calar o ex-deputado Eduardo Cunha. No texto, Temer confirmou ter se encontrado com o empresário Joesley Batista no começo de março, no Palácio do Jaburu, sua residência oficial, em Brasília, mas disse que "não houve no diálogo nada que comprometesse" sua conduta.

Aécio também foi gravado

Joesley Batista afirmou à PGR, ainda de acordo com "O Globo", que também gravou o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, lhe pedindo R$ 2 milhões. O dono da JBS entregou à PGR um áudio em que o tucano pede a quantia sob a justificativa de pagar despesas com sua defesa na Lava-Jato.

O momento da entrega do dinheiro a um primo de Aécio foi filmado pela Polícia Federal. A PF descobriu que a quantia foi depositada numa empresa do senador Zezé Perrella (PSDB-MG).

Em nota, a assessoria de imprensa de Aécio Neves afirmou que o senador está "absolutamente tranquilo quanto à correção de todos os seus atos". O texto diz ainda que a relação do presidente do PSDB com Joesly Batista sempre foi "estritamente pessoal, sem qualquer envolvimento com o setor público". A nota encerra informando que Aécio espera ter acesso ao conteúdo completo das informações para prestar esclarecimentos.

Em vídeo publicado em seu Facebook, Zezé Perrella se coloca à disposição para esclarecimentos. "Não conheço Joesley Batista. Nunca tive contato com ele, nem mesmo por telefone, ou com qualquer outra pessoa do Grupo JBS."

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