Homenageado, Joaquim Barbosa admite: "não gostaria de estar no STF nesse momento"

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

  • Gustavo Maia/UOL

    07.jun.2017 - Presidente do STF, Cármen Lúcia, comanda solenidade de homenagem aos ex-presidentes da Corte Joaquim Barbosa (d) e Ricardo Lewandowski (terceiro à direita)

    07.jun.2017 - Presidente do STF, Cármen Lúcia, comanda solenidade de homenagem aos ex-presidentes da Corte Joaquim Barbosa (d) e Ricardo Lewandowski (terceiro à direita)

Homenageado por ter sido presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), de 2012 a 2014, o ex-ministro Joaquim Barbosa afirmou nesta quarta-feira (7) que "não gostaria" de integrar a Corte no atual momento do Brasil, que classificou como "triste", "doloroso" e "cataclísmico".

Em pouco mais de cinco minutos de discurso, após a inauguração de seu retrato na Galeria de Presidentes do Supremo, Barbosa brincou ao dizer que não inveja os atuais ministros e dedicou palavras de incentivo aos 11 membros do STF, todos presentes: "o Brasil precisa muito dos senhores. E essa Corte, com certeza, não falhará".

Na mesma solenidade, o ministro Ricardo Lewandowski, que presidiu a Corte de 2014 a 2016, também foi homenageado. Conduzida pela atual presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, a cerimônia ocorreu logo após sessão plenária do Supremo e contou ainda com a presença do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Sem citar detalhes da atual crise política que atinge o governo do presidente Michel Temer (PMDB), Barbosa disse acreditar que o Brasil passa por uma "revolução silenciosa, para a qual poucos atentaram até agora". "Essa revolução começou lá atrás. Ela não começou com a [operação] Lava Jato, com o Mensalão", declarou.

Para o ex-ministro, a "revolução" remonta a decisões cruciais nas quais o STF "tomou a dianteira --no silêncio e na omissão dos nossos representantes eleitos--, tomou para si a liderança nas transformações, especialmente as sociais". Para ilustrar seu argumento, ele citou atos "muito progressistas" como a validação das cotas raciais e o reconhecimento da união homoafetiva.

O jurista afirmou ainda que, enquanto o STF tomava decisões "ousadas", "de vanguarda", em muitos casos, tinha posição contrária à expressa pela sociedade brasileira. "Mas nós não pensávamos nisso. Fazíamos o que achávamos que deveria ser feito". Segundo Barbosa, foi justamente essa "revolução silenciosa" que conduziu ao "turbilhão" por que passa o país neste momento.

Antes de falar, Barbosa foi saudado pelo ministro Luís Roberto Barroso, que discursou por quase 20 minutos e chamou o ex-colega e amigo de "um brasileiro de cuja trajetória todos nós podemos nos orgulhar". Ele exaltou a atuação do ex-presidente da Corte durante o julgamento da Ação Penal 470, mais conhecida como Mensalão, que segundo o ministro, "inspirou" a Lava Jato.

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