Gleisi diz que Moro teve atitude lamentável e que Lula está "absolutamente tranquilo"

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

Presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PR) contou ter conversado com ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a divulgação da sua condenação pelo juiz federal Sergio Moro e disse que ele está "absolutamente tranquilo", porque "não deve nada e sabe que foi ele que produziu as provas de inocência".

A petista ecoou o que já haviam dito correligionários no Congresso e classificou a decisão como "eminentemente política" e "sem provas". 

Lula foi condenado a 9 anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na ação relacionada ao tríplex no Guarujá (SP).

Segundo a senadora, a sentença foi baseada "única e exclusivamente" na vontade de Moro de prestar contas à opinião pública, "fato, aliás, que ele vem mantendo desde o início deste julgamento".

"Não tem uma prova prática fática nesse processo. Aliás, as únicas provas que têm são as provas de inocência do presidente Lula. É lamentável que um juiz de direito se dê a esse papel, de fazer política através do Judiciário", criticou Gleisi.

"Lá, no fundo, eu achava que o Juiz Sérgio Mouro daria valor a sua trajetória, ao seu diploma, àquilo que aprendeu na universidade e inocentaria o Presidente Lula pelo fato de não ter absolutamente nenhuma prova contra o nosso Presidente", discursou a senadora pouco antes, na tribuna do plenário. "Mas, infelizmente, não foi isso que aconteceu".

Sobre a decisão de Moro de não decretar prisão de Lula, que vai poder apresentar a sua apelação à 2ª instância em liberdade, a presidente da PT disse que o juiz já tentou fazer isso –referência à condução coercitiva determinada pelo magistrado no ano passado-- e "sabe o trauma que é, até porque não tem prova".

"Ele [Moro] vai criar uma sublevação [rebelião] popular, petista, se ele fizer uma coisa dessas. Vai prender o Lula por quê? Qual é o risco que o presidente Lula oferece ao Brasil? Porque disse que ele, Sergio Moro, é parcial? E ele não é parcial? O que ele está fazendo com essa sentença não é parcialidade? É pura parcialidade, isso é um absurdo", declarou Gleisi, em entrevista coletiva depois de discursar no plenário do Senado.

"Isso deixa cada vez mais evidenciado o papel que a [operação] Lava Jato tem em relação ao presidente Lula, que é criminalizá-lo para impedir que ele faça parte do processo político no Brasil", completou.

Gleisi afirmou que o partido vai protestar e denunciar a condenação internacionalmente. Contou ainda que irá até São Paulo, onde mora Lula, no final da tarde desta quarta para mostrar solidariedade. "E não só o PT. Acredito que outros partidos de esquerda também vão mostrar essa solidariedade, e também os movimentos sociais e setores da sociedade organizada", comentou.

"Isso é um acinte à democracia, não tem justificativa uma sentença como essa. Quais são as provas, Sergio Moro? Quais são as provas que você tem contra o presidente Lula? Mostre as provas. A opinião pública não é prova", concluiu a senadora.

Nota do PT

O PT divulgou nota sobre a sentença. Afirmou que a condenação contra o ex-presidente "representa um ataque à democracia e à Constituição Federal" e que, "embora seja uma decisão de primeira instância, trata-se de medida equivocada, arbitrária e absolutamente ilegal, conduzida por um juiz parcial, que presta contas aos meios de comunicação e àqueles que não aceitam a trajetória de sucesso de Lula na presidência."

De acordo com a nota, a sentença está baseada em "delações premiadas negociadas ao longo de meses com criminosos confessos" e que "simplesmente validam as convicções contidas na acusação de procuradores do Ministério Público Federal, sem que houvesse a apresentação de provas que justifiquem a condenação nos termos expressos pelas leis brasileiras."

A direção do partido afirmou que Lula não está acima da lei nem abaixo dela, mas que é vítima de perseguição. "O que ocorre é um processo de perseguição que se constitui em uma aberração constitucional; um caso típico de lawfare, em que se utilizam recursos jurídicos indevidos como fim de perseguição política"

Golpe

"A condenação de Lula é mais um capítulo da farsa capitaneada pelo consórcio golpista que assumiu o país para suprimir direitos sociais e trabalhistas, ampliar o tempo para as pessoas se aposentarem, cortar gastos essenciais em saúde e educação e, principalmente, vender empresas estatais importantes como a Petrobras, a Infraero, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil", diz a nota.

O partido também afirmou que, "curiosamente, a sentença saiu um dia depois da votação de medidas que retiraram direitos dos trabalhadores" e que agora serão esquecidas.

"O PT vai manter sua defesa intransigente a Lula, por acreditar em sua absoluta inocência. Lula é uma liderança reconhecida no mundo pelos avanços promovidos à frente da Presidência. Hoje, mais do que nunca, nos solidarizamos com Lula, e com seus filhos e netos. Além disso, reforçamos nosso pesar pela morte de sua mulher Marisa Letícia Lula da Silva. Sabemos que haverá Justiça nas outras instâncias do julgamento e que toda a verdade virá à tona. A história será a principal testemunha de sua absolvição e de sua grandeza. Viva Lula!"

Lula condenado

O juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, condenou a nove anos e seis meses de prisão em regime fechado, nesta quarta-feira (12) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista era acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, crimes nos quais estaria envolvido um apartamento tríplex no Guarujá (SP). Ainda cabe recurso.
 
Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela acusação de ter sido beneficiado com o tríplex. Na mesma sentença, Moro absolveu o ex-presidente pelas "imputações de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o armazenamento do acervo presidencial por falta de prova suficiente da materialidade".
 
Na sentença, Moro afirma que crime corrupção envolveu a destinação de R$ 16 milhões "a agentes políticos do Partido dos Trabalhadores, um valor muito expressivo". "Além disso, segundo o juiz, o crime foi praticado em um esquema mais amplo no qual o pagamento de propinas havia se tornado rotina".
 
O juiz apontou "culpabilidade elevada" de Lula, que recebeu, segundo ele, "vantagem indevida em decorrência do cargo de presidente da República, ou seja, de mandatário maior".

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