Operação Lava Jato

Com câncer, Vaccarezza pede a Moro desbloqueio de R$ 115 mil para tratamento

Venceslau Borlina Filho

Do UOL, em São Paulo

  • Foto: José Cruz/Agência Brasil

    O ex-deputado federal Cândido Vaccarezza

    O ex-deputado federal Cândido Vaccarezza

Diagnosticado com câncer de próstata, o ex-deputado federal Cândido Vaccarezza (ex-PT, atualmente afastado do PTdoB) pediu novamente nesta segunda-feira (4) ao juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, o "imediato desbloqueio" de R$ 115 mil apreendidos pela Polícia Federal na sua residência, em São Paulo, no mês passado.

No pedido, a defesa do ex-deputado informou que os recursos serão usados no seu tratamento contra a doença. Conforme laudo da biópsia anexado, o câncer de próstata de Vaccarezza é maligno e precisa ser retirado. Uma cirurgia deverá ser marcada após um novo exame que será realizado no próximo dia 9, às 7h, no Hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo.

Antes, Vaccarezza já havia solicitado o desbloqueio dos recursos e até mesmo a redução do valor da fiança fixada no caso, em R$ 1,5 milhão, com oferecimento da casa onde mora na Vila Prudente, zona leste de São Paulo, como pagamento. Em despacho, o juiz Sergio Moro decidiu ouvir o Ministério Público Federal sobre os pedidos antes de tomar uma decisão. Ainda não há data para que isso aconteça.

Ex-líder dos governos Lula e Dilma, Vaccarezza foi preso em agosto acusado pelo Ministério Público de ter recebido US$ 438 mil (R$ 1,4 milhão nos valores atuais) em propina por intermediar contratos entre uma empresa norte-americana e a Petrobras. Moro, porém, revogou a prisão cinco dias depois para que ele pudesse fazer os exames que diagnosticaram a doença.

De acordo com a defesa, o dinheiro apreendido na casa do ex-deputado refere-se parte a ele e outra parte a um empréstimo feito por um amigo, tudo de origem lícita comprovado em declaração de imposto de renda e nota promissória. 

Atualmente, Vaccarezza é médico da Prefeitura de São Paulo e tem salário bruto de R$ 9,2 mil por mês. Ele tentou se reeleger em 2014 pelo PT, mas não conseguiu. Em seguida, se filiou ao PTdoB, mas pediu afastamento após a prisão.

Investigação

As investigações do MPF sobre a relação de Vaccarezza com o esquema começaram após a delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. Segundo a Procuradoria, foi paga propina em cinco dos 12 contratos firmados entre 2010 e 2013, no valor de US$ 180 milhões (R$ 570 milhões nos valores atuais), entre a Petrobras e a empresa, para venda de asfalto.

Para a Polícia Federal, há a suspeita de que o ex-deputado tenha recebido mais valores indevidos, acima de R$ 3 milhões. Mais provas teriam sido colhidas pelos investigadores durante a 1ª e a 16ª fase da Operação Lava Jato. Entre os citados na investigação estão Jorge e Bruno Luz, apontados como operadores do PMDB.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal tinham solicitado a reversão da prisão temporária para preventiva do político após depoimento dele. Chegaram a alegar "fartas evidências" de corrupção, mas Moro optou pela soltura em razão do problema de saúde alegado pelo investigado.

Segundo a Lava Jato, o ex-deputado agia em favor de empresas privadas e, em troca, recebia vantagens indevidas, "em verdadeira relação promíscua com operadores, funcionários e empresários." Para o Ministério Público Federal, desde 2009 ele vem dedicando-se à prática de corrupção e lavagem de dinheiro.

A operação em que o ex-deputado foi preso foi batizada de Abate, 44ª fase da Operação Lava Jato. A Abate foi realizada ao mesmo tempo em que a Operação Sem Fronteiras, a 43ª fase.

Ao todo, foram cumpridas 46 ordens judiciais distribuídas em 29 mandados de busca e apreensão, 11 mandados de condução coercitiva e 6 mandados de prisão temporária na capital paulista, em Santos, no litoral de SP, e na cidade do Rio de Janeiro.

Nos dois casos, as investigações apuram crimes de corrupção, desvio de verbas públicas e lavagem de ativos identificados em contratação de grandes empresas com a Petrobras.

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