Operação Lava Jato

Defesa de Lula alega que MP não apresentou provas e pede novas diligências a Moro

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução

    Lula em discurso realizado em Curitiba, depois de depoimento ao juiz Sergio Moro

    Lula em discurso realizado em Curitiba, depois de depoimento ao juiz Sergio Moro

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta terça-feira (19) ao juiz Sergio Moro a realização de sete diligências complementares em documentos e possíveis provas levantadas pelo MPF (Ministério Público Federal) na ação em que o petista é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo a compra, pela Odebrecht, de um apartamento em São Bernardo do Campo e de um terreno para construção da nova sede do Instituto Lula.

Os advogados do ex-presidente alegam desigualdade em relação à força-tarefa da Lava Jato e sustentam que "não é possível estabelecer qualquer vínculo com os temas discutidos ao longo do processo com os contratos da Petrobras indicados na denúncia". De acordo com o MPF, recursos da estatal foram usados na compra dos imóveis para Lula. Na discussão estão os sistemas "MyWebDay" e Drousys, usados pela empreiteira no chamado "setor de propinas".

"O que se verifica neste processo, tal como ocorreu no caso do tríplex, é que o Ministério Público Federal busca passar por cima da base da acusação. Nenhum valor proveniente de contratos da Petrobras se relaciona com os imóveis indicados na denúncia. O pedido de provas complementares que apresentamos hoje objetiva deixar essa situação ainda mais evidente. Após a coleta de cerca de 100 depoimentos, mostra-se absurda a acusação em relação a Lula", disse o advogado Cristiano Zanin Martins, negando que o petista "jamais solicitou, recebeu ou aceitou a propriedade de qualquer dos imóveis discutidos na ação".

A defesa de Lula pede prova pericial contábil-financeira sobre os pagamentos das transações imobiliárias citadas; a realização de perícia em arquivos relacionados ao ex-ministro Antonio Palocci; acesso integral ao acordo de leniência da Odebrecht, às delações premiadas de Marcelo Odebrecht, Emílio Odebrecht e mais sete pessoas, e processos do TCU (Tribunal de Contas da União) relacionados a obras da Petrobras, além de outros requerimentos.

Os advogados do ex-presidente alegam cerceamento por parte do juiz Sergio Moro. Nesta segunda-feira (18), o magistrado negou um recurso (embargos de declaração) à defesa, que queria que ele explicasse os termos usados em um despacho. Na decisão, Moro respondeu dizendo que "os embargos fazem pouco sentido no ponto" pedido pela defesa para o esclarecimento. Em outro pedido, a defesa de Lula solicita explicações de peritos sobre análises.

Até as 22h20 desta terça, Sergio Moro não havia se manifestado sobre a petição da defesa. Lula foi interrogado na ação na semana passada. Nesta terça, o advogado Roberto Teixeira, que é amigo de Lula, foi o último a depor. Agora a ação segue novos levantamentos de provas. Em seguida, serão apresentadas alegações finais pelos envolvidos. A partir daí, o juiz poderá dar a sentença. O prazo para que isso ocorra é até dezembro deste ano.

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