Operação Lava Jato

Em vez de apoio, o deboche: hashtag criada por Cabral vira piada nas redes

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Antônio Cruz/Agência Brasil

    Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio de Janeiro

    Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio de Janeiro

Depois de mais de três anos longe do Facebook, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) reativou na noite de quarta-feira (27) a sua fan page na mídia social. Uma das novidades é o lançamento de uma hashtag em apoio ao político, preso desde novembro do ano passado e condenado, na semana passada, a 45 anos e dois meses de prisão em uma das ações da Lava Jato no Estado. A iniciativa, no entanto, resultou em piadas e comentários furiosos.

O retorno de Cabral ao Facebook foi anunciado com um texto de 340 caracteres e 56 palavras. Em terceira pessoa, a página --que agora se chama "Apoio a Sérgio Cabral", mesmo nome da hashtag-- informa que o objetivo é defender o legado do ex-governador.

Até as 14h desta quinta-feira (28), a mensagem tinha mais de 4.700 curtidas, 1.125 compartilhamentos e quase 10.000 comentários. Indignados, os internautas promovem um "vomitaço" e criticam e/ou ironizam o post com gifs, memes e emojis jocosos. No espaço destinado à opinião do público, menções positivas são raras.

Hashtags são recursos comumente utilizados por marcas, influenciadores e profissionais de comunicação a fim de criar campanhas de marketing digital e/ou para divulgar conteúdos nas redes sociais.

"Agora só falta roubar o Facebook do povo", debocha o usuário VN Martins.

"Atualiza o perfil: de político para presidiário", comenta Renyer Müller. O usuário Guto Proença questiona: "Pega celular lá em Benfica?", em referência à penitenciária na qual o político cumpre pena, a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte carioca.

A publicação também foi curtida e comentada por usuários que saíram em defesa do ex-governador.

Em uma análise da hashtag #apoioasergiocabral no Twitter, é possível verificar que 100% das menções eram, até as 14h desta quinta, críticas e/ou irônicas ao peemedebista.

O usuário Jônathas Macharete afirmou: "Melhor piada até hoje". Já Celso Graciosa disse que a pena para o ex-governador deveria ser ainda mais dura. "Apoio 200 anos de cadeia", brincou, em alusão à hashtag.

Rodrigo Volek, por sua vez, disse ser "cara de pau desses marqueteiros criar (sic) uma # [hashtag] dessas".

De acordo com um serviço online de análise de audiência nas redes sociais, os posts no Twitter com a tag #apoioasergiocabral tiveram um alcance de mais de 70 mil usuários.

Como Cabral está preso, em tese, ele não tem acesso a dispositivos eletrônicos, o que indica que a página, que não era atualizada desde julho de 2014, foi reativada por terceiros.

A reportagem do UOL entrou em contato com o advogado do ex-governador, Rodrigo Roca, mas ele estava em uma audiência e não pôde atender. Ao jornal "O Estado de S.Paulo", na quarta (27), o defensor afirmou que não sabia de quem era a iniciativa.

Na semana passada, Cabral foi condenado pelo juiz da 7ª Vara Criminal Federal (RJ), Marcelo Bretas, na ação penal da Operação Calicute, uma das ramificações da Lava Jato, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ele é réu em outros 12 processos somente na 7ª Vara.

Em junho, ele foi sentenciado pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Criminal Federal (Curitiba), a 14 anos e dois meses de prisão por corrupção passiva. Nesta ação, ele foi sentenciado por pedir e receber vantagem indevida no contrato de terraplanagem do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro).

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