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Lula critica "artimanhas" contra candidatura e diz que tem "vergonha na cara de sobra"

Lula participa de evento em Minas ao lado de Dilma e de Pimentel em imagem divulgada em seu perfil  - Divulgação/Ricardo Stuckert
Lula participa de evento em Minas ao lado de Dilma e de Pimentel em imagem divulgada em seu perfil Imagem: Divulgação/Ricardo Stuckert

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

23/10/2017 20h22Atualizada em 23/10/2017 20h39

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nesta segunda-feira (23) sua caravana por Minas Gerais reiterando suas críticas às investigações das quais é alvo e o uso do que chamou de "artimanhas" para que não dispute as eleições do ano que vem.

"Eles não sabem que o que eu tenho de sobra é vergonha na cara", afirmou durante discurso na cidade em Ipatinga. "Se não querem que eu seja candidato, vá para a urna votar contra. Não venha criar artimanha para que eu não seja candidato."

O ex-presidente disse também que "a única coisa" que lhe causa medo é "mentir e trair" a população, e por isso quer provar "que a Polícia Federal mentiu, que o Ministério Público está mentindo a meu respeito e que o [juiz Sergio] Moro está me condenando injustamente."

Em julho, Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão por Moro no chamado processo do tríplex, da Operação Lava Jato, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-presidente recorre em liberdade, e seus advogados dizem que não há provas dos delitos.

Se for condenado em segunda instância, no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), Lula pode ser impedido de se candidatar pela Lei da Ficha Limpa e até mesmo ter sua prisão ordenada. Não há data para o julgamento no tribunal.

Lula também exaltou as políticas sociais dos governos petistas e acusou o governo de Michel Temer de estar "vendendo nosso país, acabando com a Petrobras". O ex-presidente voltou a ventilar a ideia da realização de um referendo revogatório para reverter medidas tomadas pela atual administração.

"A gente tem que pedir autorização do povo, quando a gente ganhar, para reverter o que eles fizeram."

Lula, que completa 72 anos no dia 27, encerrou seu discurso dizendo que "o 'Lulinha paz e amor' voltou" --apelido que o próprio petista deu ao perfil menos agressivo e mais conciliador que adotou quando venceu a disputa presidencial pela primeira vez, em 2002.

"Talvez, nem tanta paz, nem tanto amor, porque eles não querem. Eu dei para eles, mas não teve reciprocidade", disse. "Eu vou voltar com 70, com energia de 30 e com tesão de 20 para salvar este país do que eles estão fazendo."

Lula dividiu o palanque com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT); o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT); a presidente do PT, a senadora paranaense Gleisi Hoffmann; o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG); e o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas.

Caravanas e eleições de 2018

Líder em pesquisas de intenção de voto e réu em processos na Operação Lava Jato, Lula está em ritmo de pré-candidato a um terceiro mandato presidencial nas eleições do ano que vem.

Até o dia 30, o petista passará por mais 11 cidades mineiras nas quais, em sua maioria, o partido teve votações expressivas nas últimas disputas presidenciais, localizadas principalmente no norte e no nordeste do Estado. 

Além de Ipatinga, a caravana lulista vai passar por Governador Valadares, Teófilo Otoni, Itaobim, Itinga, Araçuaí, Salinas, Montes Claros, Bocaiúva, Diamantina e Cordisburgo, com encerramento em Belo Horizonte.

Lula já passou por todos os Estados do Nordeste e, depois de Minas, deve fazer uma caravana no Rio Grande do Sul ainda este ano. O petista também já incluiu regiões da Grande São Paulo em seu itinerário. 

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