Aécio destitui Tasso da presidência do PSDB e indica Goldman para o cargo

Daniela Garcia, Felipe Amorim e Luciana Amaral

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

  • George Gianni/PSDB

    03.ago.2017 - Com Aécio Neves (d) ao fundo, Tasso Jereissati concede entrevista a jornalistas após encontro para definir os rumos do comando do PSDB

    03.ago.2017 - Com Aécio Neves (d) ao fundo, Tasso Jereissati concede entrevista a jornalistas após encontro para definir os rumos do comando do PSDB

Presidente nacional licenciado do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) destituiu o senador Tasso Jereissati (CE) do comando interino do partido nesta quinta-feira (9). O senador mineiro indicou o vice-presidente do partido, Alberto Goldman (SP), para assumir o cargo interinamente.

Aécio entregou uma carta a Tasso na tarde desta quinta para notificá-lo de sua destituição. O senador mineiro alegou que a decisão seria necessária para manter a "isonomia" nas eleições do partido em 9 de dezembro. Nesta quarta-feira (8), Tasso lançou sua candidatura ao pleito e concorrerá contra o governador de Goiás, Marconi Perillo. 

Tasso negou entregar cargo

Após a destituição, Tasso disse, em entrevista coletiva, que o senador mineiro faltou com sinceridade na carta que divulgou sobre a decisão de destituí-lo da presidência interina do partido.

Ele [Aécio], na verdade, não queria que eu fosse o presidente interino nem que fosse candidato a presidente porque hoje nós temos diferenças profundas, muito profundas"

Senador Tasso Jereissati

Tasso narrou como foi a conversa com o senador mineiro nesta tarde. Segundo ele, Aécio pediu que ele entregasse o comando interino do partido, em razão de uma "equidade" na disputa.

O cearense negou abrir mão do cargo, o que resultou na atitude de Aécio reassumir a presidência para emitir o comunicado e logo indicar Goldman. 

Arte/UOL
Carta do senador Aécio para Tasso

"Eu preferia que ele me afastasse, e que eu queria que ficassem bem nítidas as nossas diferenças". Ao responder dessa maneira ao mineiro, Aécio deixou o gabinete do cearense, segundo Tasso. Minutos depois, ele recebeu a carta falando de sua destituição. 

Perguntado se poderia especificar as diferenças, Tasso elencou algumas delas. "São conhecidas de todos vocês, são diferenças profundas, desde comportamento político, comportamento ético, visão de governo, fisiologismo, a questão de fisiologismo desse governo."

"Eu disse para ele que pedia dele uma certa sinceridade quando viesse argumentar as razões, por que afinal de contas nós somos amigos há mais de 30 anos, que eu sabia perfeitamente que ele queria isso não em nome da 'equidade'. Foi ele mesmo quem prorrogou o seu próprio mandato [de presidente do PSDB], não era assim que ele via a questão partidária", disse.

Evidentemente, eu já disse uma frase e vou repetir: esse PSDB desses caras não é o meu PSDB."

Senador Tasso Jereissati

Após a divulgação da nota, Aécio afirmou, em entrevista, que sempre agiu pela unidade do partido e com "enorme responsabilidade" e voltou a citar a "isonomia" da disputa. "Vamos garantir que essa disputa se dê em alto nível discutindo aquilo que interessa efetivamente ao país. Me preocupa o PSDB sair da agenda ou da vanguarda das grandes reformas que precisam ocorrer no Brasil para se limitar a uma disputa interna", disse.

Portanto essa decisão é absolutamente normal, foi feita com absoluta serenidade, ouvindo vários setores do partido

Senador Aécio Neves

Tasso assumiu interinamente a presidência do PSDB, após Aécio virar alvo de investigação por ter sido gravado pedindo R$ 2 milhões ao empresário e delator Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F. O senador mineiro se licenciou do cargo e indicou o cearense para ocupá-lo. 

Aécio chegou a ficar afastado do exercício do mandato de senador e proibido de deixar sua casa à noite por decisão da 1° Turma do STF (Supremo Tribunal Federal). No mês passado, o Senado devolveu o cargo ao mineiro, após novo julgamento do plenário do Supremo.

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A destituição de Tasso da presidência interina do partido acontece num momento delicado. Há um embate interno entorno da discussão do desembarque do PSDB do governo de Michel Temer (PMDB), onde os tucanos ocupam quatro ministérios. Aécio Neves lidera o grupo que deseja manter apoio a Temer, enquanto Tasso é defensor da saída até o final do ano.

A relação entre Aécio e Tasso azedou, principalmente, porque o mineiro não teve o apoio do cearense para retornar ao comando do PSDB quando retomou o cargo no Senado. Tasso chegou a defender publicamente a saída de Aécio de forma definitiva da presidência do partido.

Goldman diz que buscará equilíbrio

O novo presidente interino do PSDB, Alberto Goldman afirmou ter sido "pego de supresa" sobre a sua indicação ao cargo. "Eu também fui pego de surpresa. A não ser a partir de ontem a noite, quando tive um chamado do Aécio para estar com ele aqui. Não podia intuir de estar aqui. Ele me comunicou hoje, em um almoço", disse Goldman.

O tucano disse que não poderia emitir opinião sobre a decisão de Aécio e que estava buscando a "isonomia". "O meu papel nesse 30 dias pela frente vai ser de garantir a isonomia, o equilíbrio numa disputa", em referência à possível concorrência entre Tasso e Perillo. 

Goldman evitou falar sobre um desembarque do governo de Temer, ressaltando apenas que a decisão da Executiva de permanecer nos cargos segue em vigor. 

Reações de tucanos

A destituição de Tasso causou reações de congressistas tucanos, que criticaram a atitude de Aécio.

"Como parlamentar do PSDB quero registrar, primeiro minha solidariedade, e depois meu apoio integral ao senador Tasso Jereissati, que está sendo vítima de uma armação arquitetada pelo Palácio do Planalto", disse o deputado Rocha (PSDB- AC).

"Eu quero mais uma vez aqui dizer que o senador Aécio Neves envergonha o nosso partido, mais uma vez, e, sinceramente, chegou a hora de o senador Aécio Neves deixar o partido. Nós não podemos ter o PSDB, um partido grande, que representa certamente a esperança de muitos brasileiros ser jogado na vala comum. Chegou a hora de o senador Aécio tomar o seu rumo e não envergonhar mais o nosso partido", afirmou Rocha no plenário da Câmara.

O senador licenciado Ricardo Ferraço (ES) também criticou a atitude do senador mineiro. "Ao expulsar o senador @tassocomvoce da presidência do PSDB, Aécio revela total falta de pudor e limites na defesa de seus interesses. Por não ter se curvado aos interesses do Temer, Tasso é mais uma vítima do Aécio, que se transformou na maior decepção p/ os brasileiros. Vergonha", postou no Twitter.

Alguns deputados, como Caio Narcio e Marcus Pestana, ambos tucanos de MG, defenderam a decisão de Aécio. "É um momento em que se deflagra um processo democrático no PSDB. Ele [Aécio] retira o presidente Tasso da condução do partido para que ele assuma a sua condição de candidato e assim em iguais condições de disputa possam ser vencedores aqueles que tiverem o convencimento", disse Narcio.

Segundo Narcio, Goldman poderá conduzir a eleição interna "em pé de igualdade" entre os candidatos. Tasso vai disputar a presidência do partido com o governador de Goiás, Marconi Perillo. A eleição deve ocorrer em dezembro.

 

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