Tasso está sendo vítima de armação, diz deputado tucano; senador diz ter "vergonha"

Felipe Amorim e Daniela Garcia

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

  • DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

    Atitude de Aécio Neves (PSDB-MG) repercutiu entre tucanos

    Atitude de Aécio Neves (PSDB-MG) repercutiu entre tucanos

A destituição do senador Tasso Jereissati (CE) do cargo de presidente interino do PSDB causou reações de congressistas tucanos, que criticaram a atitude de Aécio Neves (MG), presidente da legenda.

"Como parlamentar do PSDB quero registrar, primeiro minha solidariedade, e depois meu apoio integral ao senador Tasso Jereissati, que está sendo vítima de uma armação arquitetada pelo Palácio do Planalto", disse o deputado Rocha (PSDB- AC).

"Eu quero mais uma vez aqui dizer que o senador Aécio Neves envergonha o nosso partido, mais uma vez, e, sinceramente, chegou a hora de o senador Aécio Neves deixar o partido. Nós não podemos ter o PSDB, um partido grande, que representa certamente a esperança de muitos brasileiros ser jogado na vala comum. Chegou a hora de o senador Aécio tomar o seu rumo e não envergonhar mais o nosso partido", afirmou Rocha no plenário da Câmara.

O senador licenciado Ricardo Ferraço (ES) também criticou a atitude do mineiro. "Ao expulsar o senador @tassocomvoce da presidência do PSDB, Aécio revela total falta de pudor e limites na defesa de seus interesses. Por não ter se curvado aos interesses do Temer, Tasso é mais uma vítima do Aécio, que se transformou na maior decepção p/ os brasileiros. Vergonha", postou no Twitter.

O deputado Daniel Coelho (PSDB-PE), integrante do grupo de "cabeças-preta" do PSDB, também disse ver influência do governo = Temer na decisão de Aécio e comparou a destituição de Tasso à do presidente João Goulart, destituído pelo golpe militar de 1964.

Nós ficarmos sabendo pela imprensa que o presidente Tasso foi afastado, passa-se todos os limites do respeito."

Daniel Coelho (PSDB-PE)

"Qual a diferença do que fizeram com João Goulart?", perguntou o pernambucano. "Tenho certeza que vai haver resistência, interna e externa. Tenho certeza que os eleitores do PSDB não comungam com essa atitude", disse o tucano de Pernambuco.

Daniel Coelho afirmou também que o afastamento de Tasso seria um "golpe na democracia" e que Aécio não estaria honrando a história do partido.

"Com certeza foi uma surpresa, não só pra mim, mas para os integrantes do PSDB que não têm comungado com o governo Temer", disse.

"O PSDB está enterrando sua história se não reagir a isso. Isso foi um golpe na democracia, nas pessoas que acreditam no partido. Aécio, Temer e os ministros, não estão honrando a história de Mário Covas, de Franco Montoro, de Fernando Henrique e de tantos outros que fundaram o PSDB para se afastar do fisiologismo e do PMDB corrupto de Sarney lá atrás. E aquele PMDB corrupto de Sarney nada é diferente desse PMDB corrupto de Temer", afirmou Coelho.

Defensor de Tasso na presidência da legenda, o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE) chamou de "absurda e agressiva" a atitude de Aécio. "Essa decisão afunda o PSDB, faz do partido um puxadinho do PMDB."

Deputado próximo a Aécio, Marcus Pestana (PSDB-MG) disse que decisão de afastar Tasso foi "legítima" e que o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman tem condições de comandar o partido até as eleições internas que vão eleger o novo presidente nacional da sigla.

"O senador Aécio comunicou ao senador Tasso, houve conversa, não é verdade que foi unilateral", disse.

É totalmente legítima a decisão"

Marcus Pestana (PSDB-MG)

O deputado Caio Narcio (PSDB-MG) foi ao plenário da Câmara dizer que gostaria de "parabenizar" Aécio pela decisão.

"É um momento em que se deflagra um processo democrático no PSDB. Ele [Aécio] retira o presidente Tasso da condução do partido para que ele assuma a sua condição de candidato e assim em iguais condições de disputa possam ser vencedores aqueles que tiverem o convencimento", disse.

Segundo Narcio, Goldman poderá conduzir a eleição interna "em pé de igualdade" entre os candidatos. Tasso vai disputar a presidência do partido com o governador de Goiás, Marconi Perillo. A eleição deve ocorrer em dezembro.

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