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"PT só aposta no presidente Lula", diz Haddad sobre disputa pela Presidência

Theo Marques/Framephoto/Estadão Conteúdo
Manifestantes pró-Lula estão acampados nas proximidades da PF Imagem: Theo Marques/Framephoto/Estadão Conteúdo

Bernardo Barbosa

Do UOL, em Curitiba

11/04/2018 19h49Atualizada em 11/04/2018 20h34

Cotado como "plano B", o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação Fernando Haddad não abriu brecha para a possibilidade de o partido ter outro candidato que não seja o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista concedida nesta quarta-feira (11) em Curitiba.

"O PT só aposta no presidente Lula. Não há outra discussão no partido", disse. "A confiança na inocência do presidente Lula é total da nossa parte, e dia 15 de agosto o partido vai registrar a candidatura do presidente Lula."

Haddad falou à imprensa ao chegar no acampamento montado por apoiadores de Lula nos arredores da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-presidente está preso desde sábado (7). Horas antes, no mesmo local, o ex-governador baiano Jaques Wagner defendeu a manutenção da candidatura de Lula, mas não descartou outro nome "de dentro ou de fora do partido". Assim como Haddad, Wagner já foi apontado como possível "plano B".

Questionado sobre a declaração do ex-governador, Haddad não falou sobre eventuais alternativas a Lula. "Ele [Wagner] coloca que há hoje uma unidade do campo progressista em torno da democracia", respondeu.

Em entrevista ao UOL na segunda (10), o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ), disse que um eventual substituto de Lula nas eleições será apontado pelo próprio ex-presidente e apenas se sua candidatura for barrada pela Justiça Eleitoral, já no meio da campanha. Assim como Wagner, Lindbergh não descartou a possibilidade de que o eventual indicado por Lula pertença a outro partido.

O fato de o pré-candidato do PDT a presidente, Ciro Gomes, ainda não ter visitado o acampamento pró-Lula foi minimizado por Haddad. Outros pré-candidatos de esquerda, como Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D'Ávila (PCdoB), já vieram ao local e, mesmo antes da prisão de Lula, costumavam participar de atos em defesa do ex-presidente.

"O Ciro é um interlocutor permanente do campo progressista, o PDT está em contato permanente com o PT. Ele tem a agenda dele, mas nós sabemos da solidariedade que ele tem", disse Haddad.

O ex-ministro, que coordena a elaboração do programa de governo do PT para as eleições, também não quis comentar como seria uma campanha com Lula preso. Haddad respondeu falando do julgamento pelo STF (Supremo Tribunal Federal) das ADCs (Ações Declaratórias de Constitucionalidade) que questionam a prisão após condenação em segunda instância. O Supremo analisaria os processos hoje, mas o ministro Marco Aurélio de Mello, relator dos casos, adiou o julgamento em cinco dias.

"Foi adiado por cinco dias o julgamento. Vamos aguardar o julgamento das ADCs. Nós temos a expectativa de que a letra da Constituição seja observada, e vamos a cada semana evoluir, sem perder de vista que em agosto temos um encontro marcado com a Justiça Eleitoral para registrar a candidatura do presidente Lula."