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Com críticas à Justiça, petistas veem 'Lula maior' após embate no TRF-4

Militância petista aguarda soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Vinicius Boreki/Colaboração para o UOL
Militância petista aguarda soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Imagem: Vinicius Boreki/Colaboração para o UOL

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

09/07/2018 12h14

Membros do PT que participam de uma reunião na sede do partido nesta segunda-feira (9) no centro de São Paulo ressaltaram críticas à Justiça após os embates durante todo o domingo entre desembargadores do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Os petistas, porém, veem Lula mais forte depois das polêmicas. "Estou convencido de que a força de Lula cresce", disse o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ). "Acho que Lula sai maior, e Moro, desmoralizado", afirmou, em referência ao juiz Sergio Moro.

No domingo (8), o desembargador Rogério Favreto, plantonista do TRF-4 determinou em despacho a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado a 12 anos e um mês de prisão. O magistrado aceitou a tese do surgimento de um "fato novo" no processo: a condição do petista ser pré-candidato nas eleições deste ano.

Moro, responsável pelo processo contra Lula em 1ª instância, afirmou que o plantonista não tinha competência no caso e disse que não cumpriria a liminar. Ele pediu um posicionamento do relator do caso no tribunal, João Pedro Gebran Neto. 

Gebran Neto determinou então que o ex-presidente permanecesse preso. Em seguida, no entanto, o desembargador plantonista reafirmou sua decisão de libertar Lula e manteve um impasse jurídico em torno da situação. O episódio levou o presidente do TRF-4, Carlos Eduardo Thompson Flores, a intervir para determinar o retorno do processo ao gabinete de Gebran Neto e a manutenção da prisão do ex-presidente Lula.

Para Lindbergh Farias, o imbróglio causará efeitos nas intenções de voto do ex-presidente. "Quero ver a próxima pesquisa", disse. Condenado em segunda instância, Lula está inelegível, por conta da Lei da Ficha Limpa, e deve ficar fora da disputa pelo Planalto. Ainda assim, o PT reafirma a candidatura de Lula, que lidera as pesquisas de intenção de votos em diversos cenários de pré-candidatos.

O ex-ministro Jaques Wagner (PT-BA) disse que, se o partido escolhesse outro candidato, estaria aceitando a influência da Justiça na política. "Não temos de escalar um substituto. Nosso candidato é um só, é o Lula. Se por acaso houver uma intervenção definitiva, na minha opinião o partido deveria olhar para outros candidatos que estão aí e escolher quem mais se aproxima do nosso programa", disse durante o evento.

Segundo o deputado federal José Guimarães (CE), a reunião formalizará essa estratégia do partido, a ser seguida até o registro da candidatura, em 15 de agosto. "Não vamos abrir mão da candidatura de Lula", afirmou. O discurso mais forte contra a Justiça foi de Rui Falcão, ex-presidente do PT. "Ficou claro que a Justiça cometeu uma série de arbitrariedades. Lula está praticamente sequestrado", disse ele.

Na frente da sede do partido, policiais militares apenas acompanhavam a situação. Os ânimos chegaram a ficar exaltados entre militantes e motoristas que haviam estacionado na rua da sede petista. Os condutores optaram por tirar seus veículos da via, que já recebeu uma estrutura de som para transmitir o discurso da presidente do partido, a senadora Gleisi Hoffmann. 

Também participam da reunião membros da Executiva do PT, como o deputado federal Paulo Teixeira (SP), e os coordenadores do programa de governo de Lula, Fernando Haddad e Marcio Pochmann.

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