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Interrogatório de Lula terá segurança reforçada e interdições no trânsito em Curitiba

Carros da Polícia Militar já se posicionam em frente ao prédio da Justiça Federal em Curitiba - Nathan Lopes/UOL
Carros da Polícia Militar já se posicionam em frente ao prédio da Justiça Federal em Curitiba Imagem: Nathan Lopes/UOL

Bernardo Barbosa e Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo e Curitiba

13/11/2018 17h05

O entorno do prédio da Justiça Federal em Curitiba terá segurança reforçada e interdições no trânsito nesta quarta-feira (14), devido ao interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no processo da Operação Lava Jato sobre o sítio de Atibaia (SP). 

Esta será a primeira vez em que Lula deixará a Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense desde que foi preso, em abril.

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Segundo a Polícia Militar do Paraná, o esquema de segurança contará com policiais dos seis batalhões de Curitiba, além de integrantes do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e do BPMOA (Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas). A corporação não divulgou quantos policiais estarão em ação.

A escolta de Lula ficará a cargo da Polícia Federal, apoiada por batedores do BPTran (Batalhão de Polícia de Trânsito). O percurso da sede da PF, no bairro de Santa Cândida, até o prédio da Justiça Federal, no bairro do Ahú, é de aproximadamente 5 km.

Durante o transporte de Lula e a audiência para tomada do depoimento, que está marcada para as 14h, haverá interdições no trânsito de Curitiba. A Justiça Federal terá expediente normal, mas quem precisar ir ao prédio terá que mostrar um documento de identidade aos policiais que estarão no entorno.

Por volta das 14h desta terça (13), carros da PM começaram a chegar à região da sede da Justiça Federal. Entre os veículos, está um micro-ônibus equipado com câmeras, que é usado pela corporação para fazer monitoramento e servir de base em grandes operações.

Segundo a PM, o esquema de segurança não deve impactar o cotidiano dos moradores e comerciantes da região. Em setembro do ano passado, quando Lula foi interrogado no processo da Lava Jato sobre o Instituto Lula, cerca de mil policiais militares foram mobilizados. Em maio do mesmo ano, no interrogatório do caso do tríplex, o policiamento contou com 1.700 pessoas, e até atiradores de elite foram posicionados nas imediações do prédio da Justiça Federal.

"Muita gente nem está sabendo dessa vez. Tem quem ache que vai ser semana que vem", disse a vendedora de uma loja que teve de fechar as portas em setembro do ano passado. Amanhã, assim como outros pontos comerciais consultados pela reportagem, a loja funcionará normalmente.

No processo do sítio, Lula é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-presidente é acusado de ter recebido propina na forma de quase R$ 1 milhão em reformas pagas pela Odebrecht, OAS e pelo pecuarista José Carlos Bumlai na propriedade. Segundo o MPF (Ministério Público Federal), o dinheiro veio do esquema de corrupção na Petrobras. O MPF também acusa Lula de ter atuado para beneficiar a Odebrecht e a OAS em contratos com a estatal. 

A defesa do ex-presidente afirma que não há relação entre Lula e crimes ocorridos na Petrobras, e que a acusação "foi construída para submetê-lo a processos e condenações pré-estabelecidas no âmbito da Lava Jato de Curitiba."