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F. Bolsonaro impõe silêncio à bancada e não confirma depoimento sobre Coaf

27.nov.2018 - Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro em Brasília - Adriano Machado - 27.nov.2018/Reuters
27.nov.2018 - Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro em Brasília Imagem: Adriano Machado - 27.nov.2018/Reuters

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

07/01/2019 14h36

Presidente do PSL no Rio de Janeiro, o senador eleito Flávio Bolsonaro usou o Twitter nesta segunda-feira (7) para se posicionar quanto à disputa da presidência da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). Na postagem, Bolsonaro afirmou que, se necessário, o partido abrirá mão de encabeçar uma chapa à presidência do legislativo fluminense, mas que oferecerá "uma alternativa" à já consolidada candidatura de André Ceciliano (PT). A ideia é compor uma frente com parlamentares contrários às agendas de esquerda, para formar uma coligação "anti-petista".

O posicionamento de Flávio acontece às vésperas da data em que ele foi convidado a depor ao MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) - na próxima quinta-feira (10) - sobre as movimentações atípicas identificadas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda) na conta de um dos seus ex-assessores, Fabrício Queiroz. O motorista de Flávio teria movimentado mais de R$ 1,2 milhão em um período de 13 meses.

Desde que a investigação veio à tona, as postagens e entrevistas do senador se tornaram raras. Em um dos seus poucos pronunciamentos, em dezembro, quando foi diplomado senador, Flávio se eximiu de responsabilidade. "Não sou investigado, quem tem que se explicar é ele", resumiu. Como não houve intimação para o depoimento ao MP na quinta-feira, o senador poderá não comparecer. O MP não confirmou se ele irá ao órgão. A assessoria de Flávio disse que essa informação não será repassada à imprensa.

Embora tenha adotado uma postura mais discreta nas últimas semanas, Flávio segue dando as cartas no PSL fluminense --partido dono da maior bancada da Alerj, com 13 parlamentares eleitos. Nesta segunda pela manhã, todos os deputados do partido se reuniram no escritório do senador, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, para traçar uma estratégia de disputa para a Alerj.

Na chegada ao local, por volta das 10h30, deputados que chegaram a oferecer seus nomes para a presidência da casa, como Filippe Poubel e Rodrigo Amorim, afirmavam que tudo dependeria do que o senador decidisse.

Duas horas e meia depois, na saída da reunião, os parlamentares pediram desculpas e disseram que não dariam mais esclarecimentos a pedido do Flávio. "Ele nos chamou aqui para pedir ainda mais união, nesse momento", disse Amorim. Questionado sobre a formação de uma chapa para a presidência da Alerj, o deputado Alexandre Knoploch disse: "mais tarde o nosso líder vai se pronunciar, é só aguardar".

Parlamentares ouvidos pelo UOL garantiram que a ideia é reunir partidos como o Novo, o DEM, o Podemos e o Patriota, em torno de uma candidatura que teria o PSL ocupando as vice-presidências. Ainda não há um nome escolhido para encabeçar a disputa. A divulgação do candidato deve ser feita o mais próximo possível do dia 2 de fevereiro --data limite para inscrição das chapas.

"Precisamos de tempo para compor essa chapa que representa a nova política", disse um deputado.

Nome cotado para a liderança do governo no Senado durante o governo do pai, Flávio não voltou a comentar a vontade de assumir esse papel desde que as suspeitas contra seu ex-assessor vieram à tona. Integrantes do partido em Brasília também evitam falar se o senador assumirá a liderança. Na última semana, o PSL anunciou o nome do Major Olímpio como pré-candidato à Presidência do Senado Federal. 

Familiares de Queiroz também devem ser ouvidos pelo MP

Os familiares de Fabrício Queiroz devem ser ouvidos nesta terça-feira (8). A mulher dele e uma das filhas também foram citadas no relatório do Coaf por terem depositado recursos na conta do ex-assessor. Nathalia Melo de Queiroz, filha do ex-servidor, repassou a ele R$ 97.641,20, segundo o órgão fiscalizador. Uma Reportagem do UOL revelou que Nathalia acumulou em 2011 emprego de recepcionista em uma rede de academias no Rio, cargo de assessora de Flávio e a faculdade de Educação Física.

O policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz era motorista de Flávio Bolsonaro na Alerj. O documento do Coaf, anexado à investigação da Operação Furna da Onça, que levou dez deputados estaduais à prisão no Rio, revelou que a maior parte dos depósitos feitos em espécie na conta do ex-assessor coincidia com as datas de pagamento na Alerj. Nove assessores e ex-assessores do filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro repassaram dinheiro para o motorista. 

O relatório também identificou um depósito de Queiroz no valor de R$ 24 mil na conta bancária da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O presidente justificou que o depósito do ex-assessor do filho na conta de Michelle se tratou do pagamento de parte de uma dívida de R$ 40 mil com o próprio Bolsonaro. 

De acordo com ele, Queiroz utilizou a conta da primeira-dama para receber o dinheiro "por questão de mobilidade". Bolsonaro também alegou que tem pouco tempo para ir ao banco em razão da rotina de trabalho. A comunicação do Coaf não significa que haja alguma irregularidade na transação, mas mostra que os valores movimentados, ou o tipo de transação envolvida, não seguiram o padrão esperado para aquele tipo de cliente.

No total, o MP-RJ instaurou 22 inquéritos criminais para esclarecer suposta participação de parlamentares e servidores da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) em movimentações bancárias não compatíveis com seus salários.

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