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Não vai haver qualquer grau de intervenção do governo na Vale, diz Onyx

Leandro Prazeres e Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

2019-01-29T12:31:19

2019-01-29T17:55:58

29/01/2019 12h31Atualizada em 29/01/2019 17h55

Em pronunciamento feito nesta terça-feira (29), o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que não haverá intervenção do governo brasileiro no comando da Vale depois do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, na cidade de Brumadinho (MG). A intervenção havia sido cogitada pelo presidente em exercício, general Hamilton Mourão. Nesta segunda, Mourão afirmou que o afastamento da diretoria da Vale estava em estudo pelo grupo de crise do governo.

"Não há condição de haver qualquer grau de intervenção do Brasil na Vale", disse Onyx. "O que o governo tem na Vale é 'golden share' [categoria especial de ação]. Essa posição permite ao governo, por exemplo, manter a sede da empresa no Brasil, mas não permite nenhuma interferência na gestão." 

O ministro afirmou ainda que essa é uma decisão que cabe ao conselho de administração da empresa e que o governo é "apenas um acionista". Segundo o ministro, a "golden share" que o governo federal detém na Vale não permite a interferência na gestão.

Questionado sobre se o governo apoiaria uma mudança no conselho de administração da Vale, Onyx disse que não caberia ao governo federal, mesmo na condição de um dos principais acionistas da companhia, apoiar ou mudanças no comando da empresa. "Temos que aguardar o andamento das investigações. Não cabe ao governo federal apoiar nenhuma empresa que não seja de sua estrita responsabilidade. Cabe ao governo federal, responder pela Petrobras, pelo Banco do Brasil, pela Caixa Econômica Federal."

Onyx participou nesta terça de uma entrevista a jornalistas após reunião ministerial no Palácio do Planalto. Também participaram do pronunciamento os ministros Bento Costa (Minas e Energia), Ricardo Salles, (Meio Ambiente) e Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional). Durante o evento, os ministros anunciaram que concentrarão as fiscalizações em 3.300 barragens consideradas de alto risco.

A questão foi levantada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) em sua conta no Twitter, no último domingo.

"Não podemos prejulgar. Mas é urgente, em respeito às vítimas de Brumadinho, o afastamento cautelar da diretoria da Vale, assim como a nomeação de diretoria interventora, para impedir a destruição de provas e apurar com isenção os fatos", escreveu o senador. (*Com Reuters)