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Investigado, assessor de F. Bolsonaro quer prestar depoimento por escrito

Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz - Reprodução
Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz Imagem: Reprodução

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

30/01/2019 12h43

O ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) Fabrício Queiroz pode prestar esclarecimentos por escrito ao MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) sobre as movimentações bancárias atípicas identificadas em uma das suas contas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) --órgão vinculado ao Ministério da Justiça e da Segurança Pública.

É o que informa o advogado Paulo Kein, responsável pela defesa de Queiroz. De acordo com ele, diante do tratamento que o ex-motorista de Bolsonaro realiza em São Paulo contra um câncer, esta alternativa está sob análise. Convocado em duas ocasiões pelo MP-RJ, Queiroz faltou aos depoimentos por questões médicas. A defesa dele apresentou laudos que comprovam a doença.

De acordo com o Coaf, Queiroz teria movimentado R$ 7 milhões em um período de três anos, no qual ganhava um salário de R$ 23 mil no gabinete do filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

"Ele vai depor de alguma forma e só não o fez ainda por questões médicas. Portanto, na impossibilidade dele poder ir ao MP nós eventualmente apresentaremos os esclarecimentos acerca da movimentação bancária dele por escrito. Mas isso é uma hipótese e será utilizada como última possibilidade. A preferência da defesa e que ele deponha pessoalmente, uma vez que ele nega que tenha praticado qualquer crime", afirmou Paulo Klein.

De acordo com Klein, as movimentações financeiras de Queiroz, assim como os depósitos feitos por outros assessores de Flávio Bolsonaro na sua conta, seriam explicadas por meio de um relatório escrito. Ou seja, sem haver questionamentos. Questionado sobre essa possibilidade, o MP-RJ ainda não respondeu à reportagem.

Investigação suspensa

No último dia 17, Flávio Bolsonaro conseguiu no STF (Supremo Tribunal Federal) a suspensão da investigação sobre as movimentações financeiras de Fabrício Queiroz. O senador eleito alega que houve quebra ilegal de seu sigilo bancário na troca de informações entre o MP-RJ e o Coaf, e pede a anulação das provas.

Ele também pede que o Supremo analise em que instância deve correr o processo. O ministro Luiz Fux interrompeu o trâmite sob a alegação de que os pedidos do senador eleito devem ser analisados pelo relator do caso, ministro Marco Aurélio Mello.

Em entrevista à Record TV, Flávio disse que é contra o foro privilegiado, mas que não escolheu ser julgado no Supremo. Em nota divulgada, o MP-RJ negou que tenha havido quebra de sigilo bancário na investigação sobre Queiroz.

Segundo o órgão, apesar de o relatório do Coaf informar "movimentações atípicas tanto de agentes políticos como de servidores públicos da Alerj", não houve -- "por cautela" -- a inclusão de nomes de políticos "supostamente envolvidos em atividades ilícitas" nas investigações.

O procurador-geral do estado, José Eduardo Gussem, afirmou que 27 deputados estaduais fluminenses são investigados na esfera cível por movimentações e repasses atípicos nas contas dos seus assessores.

Relatório do Coaf cita outros assessores de Flávio

A maior parte dos depósitos feitos em espécie na conta de Fabrício Queiroz coincidia com as datas de pagamento na Alerj. Nove assessores e ex-assessores do filho mais velho do presidente repassaram dinheiro para o motorista.

Entre esses funcionários está Raimunda Veras Magalhães, mãe do capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, tido pelo Ministério Público do Rio como o homem-forte do Escritório do Crime, organização suspeita do assassinato de Marielle Franco. O policial foi alvo de um mandado de prisão neste mês e segue foragido.

O relatório também identificou um depósito de Queiroz no valor de R$ 24 mil na conta bancária da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O presidente justificou que o depósito do ex-assessor do filho na conta de Michelle se tratou do pagamento de parte de uma dívida de R$ 40 mil com o próprio Bolsonaro.

A comunicação do Coaf não significa que haja alguma irregularidade na transação, mas mostra que os valores movimentados, ou o tipo de transação envolvida, não seguiram o padrão esperado para aquele tipo de cliente.

No total, o MP-RJ instaurou 22 inquéritos criminais para esclarecer suposta participação de parlamentares e servidores da Alerj em movimentações bancárias não compatíveis com seus salários.

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