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Recuo de Moro sobre Ilona Szabó foi perda para o Brasil, diz Mourão

Vice-presidente da República, general da reserva Hamilton Mourão, lamenta decisão de Moro - Sérgio Lima/AFP
Vice-presidente da República, general da reserva Hamilton Mourão, lamenta decisão de Moro Imagem: Sérgio Lima/AFP

Do UOL, em Brasília

05/03/2019 19h33

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), disse que o Brasil "perdeu" com o recuo do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, em relação à indicação da especialista em segurança pública Ilona Szabó, para compor o CNPCP (Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária). A declaração foi dada em entrevista concedida ao jornal "Valor Econômico" publicada hoje (5). 

"Eu acho que perde o Brasil. Perde o Brasil todas as vezes que você não pode sentar numa mesa com gente que diverge de você. O Brasil perde. Não é a figura A, B ou C. Perde o conjunto do nosso país e nós temos que mudar isso aí", disse o vice-presidente.

A polêmica envolvendo a nomeação de Ilona Szabó para o conselho começou no dia 27, quando a indicação dela para integrar o conselho foi publicada no DOU (Diário Oficial da União). Ilona, que é articulista do jornal Folha de S. Paulo, é conhecida por defender posições contrárias a algumas das bandeiras do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) como a flexibilização da posse de armas.

Depois que seu nome foi confirmado como integrante do conselho, uma enorme mobilização conduzida por pessoas contrárias à sua indicação ganhou as redes sociais. Até uma hashtag (#IlonaNao) foi criada para criticar a participação da especialista no conselho.

Um dia depois, o Ministério da Justiça e Segurança Pública publicou uma nota assinada por Moro na qual ele comunicava a revogação da indicação de Ilona ao conselho e admitia que a razão para que ele tenha tomado essa medida foi a "repercussão negativa em alguns segmentos".

A decisão de Moro foi criticada por especialistas na defesa dos direitos humanos.

Para Mourão, o recuo de Moro não representa, necessariamente, um enfraquecimento do ministro. "A política é isso aí. Você não consegue impor, senão vira ditadura", afirmou.

O vice-presidente disse ainda que os filhos do presidente não tiveram influência na decisão de Moro.

"Mas não foi (influência dos filhos). Ali, para mim, a minha visão é de que houve ataque de ambos os lados. Da ala mais radical dos apoiadores do presidente e houve ataque da ala mais radical que apoia as visões que a Ilona tem, que também dizia 'você não tem que estar junto aí, você não tem que estar com esse pessoal", afirmou o vice-presidente.

Na semana passada, em meio à mobilização contra a indicação de Ilona para o CNPCP, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), usou as redes sociais para criticar a especialista.

"Meu ponto de vista é como essa Ilona Szabó aceita fazer parte do governo Bolsonaro. É muita cara de pau junto com uma vontade louca de sabotar, só pode", postou o senador.

Em nota, Ilona Szabó lamentou a decisão tomada por Moro. "Lamento não poder assumir o mandato devido à ação extremada de grupos minoritários. O país precisa superar a intolerância para atingir nossos objetivos comuns na construção de um país mais justo e seguro", disse a especialista em nota à imprensa.

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