PUBLICIDADE
Topo

Funcionário achou que vídeo pró-golpe era da Previdência, diz ministro

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

13/06/2019 11h22Atualizada em 13/06/2019 11h52

O ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, reafirmou hoje, no Senado, que a divulgação de um vídeo pró-golpe de 1964 em canal de comunicação do Palácio do Planalto ocorreu por equívoco de um funcionário.

Segundo ele, o profissional recebeu o material pelo WhatsApp e achou que se tratava de material publicitário da reforma da Previdência. O fato aconteceu em 31 de março, quando militares relembram a instauração da ditadura no país (1964-1985).

De acordo com Santos Cruz, o episódio foi uma "infelicidade de um funcionário" que trabalha no governo há mais de 20 anos, tendo passado pela gestão dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB).

"Não tem nenhum cunho ideológico nem a conotação de polemizar um assunto que já tem as suas polêmicas normais", declarou ele aos parlamentares da Comissão de Transparência, Fiscalização e Controle.

O convite foi requerido pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) e aprovado em abril, mas conflitos de agenda impediram que o ministro comparecesse antes para prestar esclarecimentos ao Parlamento.

No vídeo compartilhado pelo Planalto, um ator descreve os acontecimentos do dia 31 de março de maneira semelhante à forma como Jair Bolsonaro (PSL) e alguns de seus ministros tratam do assunto. O deputado federal e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), foi um dos que compartilharam o vídeo.

O presidente é capitão da reserva do Exército e declaradamente entusiasta do regime militar -- ele já chamou de "herói" Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel condenado pela Justiça por crimes de tortura durante a ditadura.

"O Exército nos salvou. O Exército nos salvou. Não há como negar. E tudo isso aconteceu num dia comum de hoje, um 31 de março. Não dá para mudar a história", afirma o apresentador do vídeo. O golpe completou 55 anos em 2019.

Questionado se o profissional que falhou ao compartilhar o material teria sido punido, o ministro da Secretaria de Governo afirmou que não seria justo.

"Não é por isso que a gente vai sacrificar a pessoa", comentou.

Santos Cruz disse ter conversado com o seu subordinado e o orientado a prestar mais atenção. "A gente orienta o serviço e, ao mesmo tempo, protege aqueles que trabalham com a gente na medida correta".

"Você não é nada, é um corpo à mercê deles para sentir dor", diz advogada torturada pela ditadura

UOL Notícias

Governo Bolsonaro