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Lula diz que Moro deveria pedir licença do cargo por mensagens vazadas

26.abr.2019 - Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concede entrevista na sede da PF - Marlene Bergamo/Folhapress
26.abr.2019 - Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concede entrevista na sede da PF Imagem: Marlene Bergamo/Folhapress

Stella Borges

Do UOL, em São Paulo

04/07/2019 15h29

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse hoje que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, deveria pedir licença do cargo por causa da divulgação das mensagens que teria trocado com o coordenador da força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal) da Operação Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol.

Para o petista, o ex-juiz "está se transformando em um boneco de barro". As declarações foram dadas em entrevista ao site "Sul 21".

Conversas entre Moro e Dallagnol, que têm sido divulgadas pelo site The Intercept Brasil, sugerem que eles tratavam sobre questões referentes a processos. A Constituição de 1988 determina que não haja vínculos entre o juiz e as partes em um processo.

"O Moro deveria mostrar que é um homem decente entregando o celular dele à Polícia Federal que é subordinada a ele. O Dallagnol poderia entregar o celular dele. Enquanto está sob suspeita, o Moro poderia pedir licença do Ministério da Justiça e não ficar se escondendo atrás do cargo. Se ele mentiu, precisa ter coragem de assumir o que fez", declarou o ex-presidente.

Nas audiências em que participou na Câmara e no Senado, Moro disse que entregou seu celular à PF para perícia após ter sido alvo de uma tentativa de ataque hacker.

Na entrevista, Lula voltou a se declarar inocente e disse que sua condenação foi baseada em "mentiras".

"Estou falando do meu caso e no meu caso eu posso olhar para você como se estivesse falando para o Moro e dizer: 'Moro, você é mentiroso. Dallagnol, você é mentiroso, e os delegados que fizeram o inquérito são mentirosos. Eu sei que é difícil e duro falar isso. É uma briga minha, um cidadão de 73 anos de idade, contra o aparato do Estado", declarou.

No último dia 25, o STF (Supremo Tribunal Federal) adiou o julgamento de um pedido de habeas corpus do ex-presidente para anular a condenação no caso do tríplex do Guarujá (SP) por suposta parcialidade de Moro no julgamento do processo.

Com o adiamento, o julgamento ficará, no mínimo, para o segundo semestre deste ano.

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