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Vazamentos da Lava Jato

Mensagens: Moro diz que não é protagonista; oposição acusa 'parcialidade'

Hanrrikson de Andrade, Felipe Amorim e Luciana Quierati

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

02/07/2019 18h54Atualizada em 10/09/2019 16h04

Além de questionar novamente veracidade das mensagens atribuídas a ele pelo site The Intercept, o ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) rejeitou o papel de "protagonista" na Lava Jato, cogitou ser o autor de algumas das mensagens, mas as classificou de "triviais". A oposição insistiu que os diálogos mostrariam que Moro foi parcial e que ele influenciou uma das partes - a acusação - dos processos que julgava.

Moro também foi defendido por governistas, que afirmam que o objetivo da oposição é libertar o ex-presidente Lula e abafar escândalos de governos petistas.

Com mais de 90 deputados inscritos para fazer perguntas a Moro, a sessão também foi marcada por insultos a Deltan Dallagnol, chefe da Lava Jato, bate-boca entre governistas e oposição e guerra de cartazes, e ainda não tem hora para acabar.

O que Moro já disse:

O juiz usou alguns dos argumentos já apresentados em 19 de junho no Senado:

  • Moro voltou a questionar a autenticidade das mensagens divulgadas. Moro diz que alguém pode ter alterado o conteúdo publicado.
  • Disse que não houve "conluio" entre ele quando era juiz e o "Ministério Público"
  • Que as mensagens têm o objetivo de "invalidar condenações"

Mas também trouxe argumentos novos:

  • O ministro da Justiça disse que não protagonizou a Lava Jato.

"Nunca me coloquei numa posição central nessa operação. Isso é uma coisa que eu particularmente rejeito"
Sergio Moro, sobre acusação de ter interferido nas atividades do Ministério Público

  • Ele acusou ainda o the Intercept de querer ser "mártir da imprensa", por não ter consultado as partes envolvidas nos diálogos antes da publicação.
  • Moro voltou a cogitar que "pode ter dito" algumas das mensagens divulgadas - como a frase "In Fux we trust" ("Em Fux confiamos"), em referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Eu posso ter dito, eu não lembro, isso foi em 2016. Seria uma paródia do dólar norte-americano. Algo mais inocente possível, se é que isso foi empregado".
Sergio Moro, sobre mensagem que teria enviado ao chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnon.

Após a afirmação do ministro, o jornalista Glenn Greenwald, cofundador e um dos autores das reportagens do site The Intercept Brasil, postou em seu Twitter que as ameaças de Moro não intimidarão o veículo. "Nenhuma intimidação ou ameaça interromperá as reportagens. Ameaças do estado só servem para expor seu verdadeiro rosto: abuso do poder - e por que eles precisam de transparência de uma imprensa livre", disse.

  • Moro também classificou as críticas sobre as mensagens como "ataque político-partidário" com o objetivo de tentar anular condenações da Lava Jato.

"Hackers criminosos invadem aparelhos de agentes da lei para anular condenações criminais e por outro lado impedir novas investigações. Quando se reclamam de condenações que têm que ser anuladas, normalmente a referência é a um único personagem, mas ninguém se levanta para defender Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Renato Duque ou todas aquelas mais de 100 pessoas que foram condenadas por corrupção e lavagem de dinheiro".

O que diz a oposição:

Oposição diz que diálogos apontam parcialidade de Moro na Lava Jato

UOL Notícias
  • Que Moro teria aceitado nomeação no governo Bolsonaro como recompensa por tirar Lula da disputa eleitoral.
  • Dois deputados do PT sugeriram que Moro abrisse mão do sigilo do celular para provar que não é autor das mensagens divulgadas.
  • Deputados da oposição dizem que os diálogos mostram que Moro teria perdido a imparcialidade necessária para julgar processos da Lava Jato, o que poderia levar à anulação da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Ao aconselhar a substituição ou o treinamento [de uma procuradora], vossa excelência sai do papel de juiz julgador e passa pro lado da acusação? Não fica claro que nesse momento vossa excelência perde o principal capital político de um juiz na democracia, que é a imparcialidade?"
Deputado Alessandro Molon (PSB-RJ).

Deputado chama Dallagnol de "cretino" e depoimento de Moro tem bate-boca

UOL Notícias

Como os governistas defendem Moro:

  • Deputados do PSL afirmam que as conversas divulgadas não revelam ato irregular de Moro.
  • Aliados do governo também dizem que o objetivo das críticas a Moro é libertar o ex-presidente Lula.
  • Deputados da situação também dizem que a oposição quer ofuscar os escândalos de corrupção que teriam ocorrido no governo do PT - e fizeram referência à planilha de Odebrecht e a apelidos de petistas registrados na lista de repasses da construtora.

"[O objetivo] principal de todos é a libertação de Lula, outro objetivo era a deconstrução da Lava jato e de sua principal figura, por que não dizer mítica, Sergio Moro. Tinha um terceiro grande objetivo que era desconstruir e impingir [impor] uma grande derrota ao governo"
José Medeiros (Pode-MT).

Governistas dizem que mensagens vazadas não revelam atividade ilícita

UOL Notícias

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