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Lupi vê Tabata como "erro" dele e de Ciro e critica "grupos clandestinos"

Tabata e Ciro juntos durante evento de campanha em agosto de 2018; ele foi um dos incentivadores da entrada dela no PDT - Reprodução/Facebook Tabata Amaral
Tabata e Ciro juntos durante evento de campanha em agosto de 2018; ele foi um dos incentivadores da entrada dela no PDT Imagem: Reprodução/Facebook Tabata Amaral

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

17/07/2019 14h03Atualizada em 17/07/2019 14h15

O presidente do PDT, Carlos Lupi, anunciou hoje que o partido não aceitará mais filiados ligados a grupos da sociedade civil com financiamento externo e avaliou como um "erro" dele e do ex-governador Ciro Gomes (CE) a filiação da deputada federal Tabata Amaral (SP) à sigla.

A parlamentar e outros sete colegas que descumpriram a orientação do PDT e votaram a favor da reforma da Previdência no primeiro turno da proposta na Câmara foram provisoriamente suspensos hoje pelo partido. A Comissão de Ética vai avaliar caso a caso e recomendar ou não a expulsão dos envolvidos.

"Se vocês não repararam, saiu uma nota de um grupo clandestino dizendo como os deputados devem votar. Então por que ter partido? Fica logo no grupo clandestino. Organiza. Tem tanto patrocínio, tanta gente que gosta, tanta mídia. Organizem um partido para ver como é fácil", disse o presidente.

O partido não dará legenda nem a vereador, deputado ou qualquer filiado que tenha financiamento clandestino. Financiamento patrocinado por organizações pessoais, privadas, particulares, de gente muito poderosa que se utiliza de grupos para financiar e ter os votos de parlamentares dentro da sigla do PDT
Carlos Lupi, presidente do PDT

Lupi foi questionado se o PDT não deveria ter refletido antes quanto à filiação de Tabata e outros quadros ligados a movimentos como o Acredito, grupo impulsionado pelo empresário Jorge Paulo Lemann, o segundo homem mais rico do Brasil.

No período pré-eleitoral, secretaria da sigla em São Paulo chegou a assinar uma carta de compromisso com o Acredito que buscava garantir a autonomia no exercício do mandato parlamentar.

Lupi minimizou a relevância do documento e disse que se tratou de uma "questão regional".

"O secretário-geral de São Paulo recebeu e assinou. Vocês não viram minha assinatura e não verão. O que está dizendo ali é que eles estão pedindo ajuda financeira ao partido. Em nenhum momento estão dizendo que vão financiar ninguém. Em nenhum momento disseram que o voto era o indicativo deles."

Erro de Lupi e Ciro

O pedetista afirmou que, apesar de respeitar a individualidade dos correligionários, entendia a filiação desses quadros como um "erro pessoal" dele e também de Ciro Gomes, ex-candidato à Presidência da República e vice-presidente do partido. Foi Ciro quem incentivou a adesão de Tabata ao PDT.

"Agimos de boa-fé, só que foi um erro. Tanto meu, pessoal, quanto do Ciro, que convidou alguns companheiros para virem ao partido. Erro. A gente acreditou no ser humano, infelizmente o tempo mostrou que nós estávamos errados."

Ciro, que é vice-presidente do PDT e membro da Executiva, não compareceu à reunião de hoje em Brasília. Ele já tinha confirmado presença em um evento em Salvador antes de o encontro ser agendado.

A decisão tomada de recusar pedidos de filiação de pessoas ligadas a grupos com financiamento externo ainda precisa ser validada pela direção nacional, mas esse deverá ser, de fato, o entendimento da maioria. Para o dirigente do PDT, "grupos clandestinos" têm outros 36 partidos à disposição.

Lupi também mandou uma indireta para Lemann, incentivador do movimento Acredito.

"Para que estar no PDT? Nós não queremos, não. Muito obrigado. Quem quer seguir com patrocínio privado de sistema financeiro, de homens muito ricos e poderosos, tem 36 partidos para isso. O PDT não quer."

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