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Hacker admite ter invadido celular de Deltan, diz pessoa ligada ao caso

Deltan Dallagnol participa de seminário em Brasília - Tomaz Silva/Agência Brasil - 07.mai.2018
Deltan Dallagnol participa de seminário em Brasília Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil - 07.mai.2018

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

24/07/2019 17h59Atualizada em 24/07/2019 20h48

O homem apontado como suspeito de invadir o celular do ministro da Justiça, Sergio Moro, admitiu que clonou o telefone do procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, de acordo com uma fonte ligada ao caso que pediu para não ser identificada.

Walter Delgatti Neto foi detido pela Polícia Federal (PF) e prestou depoimento até as 23 horas de ontem. Segundo essa fonte, ele está "entregando tudo" aos investigadores.

Segundo a Folha de S.Paulo, outro dos presos nesta terça-feira (23), o DJ Gustavo Henrique Elias Santos, 28, disse a seu advogado que um amigo também preso mostrou a ele mensagens de autoridades obtidas ilicitamente.

Elias Santos e sua mulher, Suelen Oliveira, também presa, negaram ao advogado qualquer participação no ataque hacker a celulares de autoridades, como do ministro Sergio Moro e do procurador Deltan Dallagnol. O amigo preso que teria mostrado o celular a ele é Walter Delgatti Neto.

Falha de telefonia teria dado brecha a hackers

Segundo parecer do MPF (Ministério Público Federal), os hackers exploraram uma falha que seria comum a todas as operadoras de telefonia, "as chamadas em que o número de origem é igual ao número de destino são direcionadas diretamente para a caixa postal, sem necessidade de inserção de senha de acesso ao conteúdo das mensagens gravadas", diz trecho do documento.

Conhecendo essa falha, os suspeitos teriam utilizado serviços de tecnologia Voip, de ligações de voz pela internet, que permite alterar o número de origem, para simular ligações do número de Moro para o próprio celular, com o objetivo de direcionar essa chamada para a caixa postal. A intenção de acessar a caixa postal do ministro seria obter o código de acesso ao Telegram Web, programa utilizado no computador para acessar o aplicativo de mensagens Telegram.

Moro aponta grupo como sendo fonte do "The Intercept"

O ministro da Justiça usou o Twitter para parabenizar a ação da PF, do MPF e da Justiça Federal. No texto, Moro aponta os presos como sendo fonte das reportagens divulgadas pelo site "The Intercept Brasil" sobre trocas de mensagens entre o ministro, quando ainda era juiz, e integrantes da Lava Jato em Curitiba: "Parabenizo a Polícia Federal pela investigação do grupo de hackers, assim como o MPF e a Justiça Federal. Pessoas com antecedentes criminais, envolvidas em várias espécies de crimes. Elas, a fonte de confiança daqueles que divulgaram as supostas mensagens obtidas por crime."

Ao usar a expressão "fonte de confiança", Moro cita um termo mencionado pelo "The Intercept Brasil". O site diz ter obtido os diálogos através de uma fonte de confiança. Porém, a PF, o MPF e a Justiça Federal não atribuem aos quatro presos na operação de ontem o envolvimento no fornecimento de informações a jornalistas.

O jornalista Leandro Demori, do "The Intercept Brasil", também usou o Twitter para responder o ministro. Sem confirmar ou negar que os presos tenham servido como fonte para reportagens do site, ele afirma que a conclusão "fica por conta" de Moro: "Nunca falamos sobre a fonte. Essa acusação de que esses supostos criminosos presos agora são nossa fonte fica por sua conta. Em um país sério, o investigado seria você".

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