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PF não confirma nem nega vínculo de hackers e mensagens de Moro e Dallagnol

Dinheiro apreendido na Operação Spoofing - Divulgação/PF
Dinheiro apreendido na Operação Spoofing Imagem: Divulgação/PF

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

24/07/2019 17h53

Em apresentação a jornalistas na tarde de hoje sobre a investigação do ataque hacker ao celular do ministro Sergio Moro (Justiça), a Polícia Federal evitou declarações sobre vínculo entre os quatro suspeitos presos e as mensagens vazadas de conversas entre Moro e procuradores da Operação Lava Jato.

A apresentação durou cerca de 15 minutos, e os repórteres não puderam fazer perguntas ao delegado João Vianey Xavier Filho, coordenador geral de inteligência da PF, e ao perito criminal Luiz Spricigo Junior, diretor do INC (Instituto Nacional de Criminalística), que conduziram a reunião.

Um jornalista chegou a perguntar em voz alta no auditório se eles confirmariam as declarações do ministro Sergio Moro, de que os supostos hackers teriam relação com os vazamentos. Mas o delegado e o perito deixaram o local sem responder.

A Polícia Federal prendeu ontem quatro pessoas na Operação Spoofing, que apura ataque ataque hacker ao celular de Sergio Moro e às contas de Telegram de outras autoridades.

Segundo o delegado, o grupo estaria ligado a estelionato bancário por meios eletrônicos, como fraudes a cartões de crédito, e foram identificadas tentativas de invasão a cerca de mil números de telefone celular.

Moro fala veicula episódios, e Intercept refuta

O delegado e o perito não abordaram se existe relação entre os suspeitos presos e os diálogos vazados, que vêm sendo publicados em reportagens do site "The Intercept Brasil" e também em reportagens feitas em parceria com a Folha de S.Paulo, o blogueiro do UOL Reinaldo Azevedo e a revista Veja.

O ministro da Justiça usou o Twitter para parabenizar a ação da PF, do MPF e da Justiça Federal. No texto, Moro aponta os presos como sendo fonte das reportagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil sobre trocas de mensagens entre o ministro, quando ainda era juiz, e integrantes da Lava Jato em Curitiba.

"Parabenizo a Polícia Federal pela investigação do grupo de hackers, assim como o MPF e a Justiça Federal. Pessoas com antecedentes criminais, envolvidas em várias espécies de crimes. Elas, a fonte de confiança daqueles que divulgaram as supostas mensagens obtidas por crime", escreveu Moro, no Twitter.

O jornalista Leandro Demori, do "The Intercept Brasil", também usou o Twitter para responder o ministro. Sem confirmar ou negar que os presos tenham servido como fonte para reportagens do site, ele afirma que a conclusão "fica por conta" de Moro: "Nunca falamos sobre a fonte. Essa acusação de que esses supostos criminosos presos agora são nossa fonte fica por sua conta. Em um país sério, o investigado seria você".

Preso falou em clonagem

Um dos presos na operação, Walter Delgatti Neto, admitiu em depoimento ter clonado o celular do procurador da República Deltan Dallagnol, de acordo com uma fonte ligada ao caso que pediu para não ser identificada.

Delgatti Neto foi detido pela Polícia Federal e prestou depoimento até as 23 horas de ontem. Segunda essa fonte, ele está "entregando tudo" aos investigadores.

Outro dos presos na terça-feira (23), o DJ Gustavo Henrique Elias Santos, disse a seu advogado que Delgatti Neto mostrou a ele mensagens de autoridades obtidas ilicitamente.

Brecha

Segundo parecer do MPF (Ministério Público Federal), os hackers exploraram uma falha que seria comum a todas as operadoras de telefonia, "as chamadas em que o número de origem é igual ao número de destino são direcionadas diretamente para a caixa postal, sem necessidade de inserção de senha de acesso ao conteúdo das mensagens gravadas", diz trecho do documento.

Conhecendo essa falha, os suspeitos teriam utilizado serviços de tecnologia Voip, de ligações de voz pela internet, que permite alterar o número de origem, para simular ligações do número de Moro para o próprio celular, com o objetivo de direcionar essa chamada para a caixa postal. A intenção de acessar a caixa postal do ministro seria obter o código de acesso ao Telegram Web, programa utilizado no computador para acessar o aplicativo de mensagens Telegram.

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