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Acordo de delação de Eike não está descartado, diz MPF

Eduardo Militão

Do UOL, no Rio

09/08/2019 04h06

Uma colaboração premiada do empresário do grupo EBX Eike Batista, preso ontem na Operação Segredo de Midas, não está descartada pelo Ministério Público Federal.

O procurador Almir Teubl Sanches, da força-tarefa da Lava Jato no Riom, contou ao UOL que uma eventual delação do dono do grupo EBX dependeria das provas que ele poderia oferecer.

"A gente chegou num esquema do Eike Batista muito grande, de pelo menos R$ 800 milhões de manipulação de mercado, que aponta para bilhões em operações envolvendo as empresas", destacou ele, em entrevista à reportagem na sede da Procuradoria da República no Rio de Janeiro na quinta-feira (8).

"Quem ele pode ou não entregar, se ele tiver interesse numa eventual colaboração, só mesmo ele pode dizer. Não dá para adiantar isso. Não dá para descartar nem para dizer que... tudo depende do que pode vir ou não à tona", explicou o procurador.

Na quinta-feira, a Polícia Federal prendeu Luiz Arthur Andrade Correia, o "Zartha", e fez buscas em endereços de José Gustavo Costa, ex-diretor-presidente da CCX. A Justiça ainda bloqueou R$ 1,6 bilhão em bens de Eike e seus filhos.

No entanto, existem mais de 20 pessoas que operavam no mesmo esquema de manipulação de mercado de capitais à semelhança de Eike, segundo Teubl. Todas essas pessoas usavam uma espécie de banco "informal" mantido pelo banqueiro Eduardo Plass no Panamá, apontam os investigadores.

Prisão foi ilegal, diz defesa de Eike

A defesa de Eike disse que a detenção de seu cliente foi ilegal. O advogado do empresário, Fernando Martins, afirmou em nota que "a prisão temporária de Eike Batista foi decretada com o fundamento de que fosse ouvido em sede policial sobre fatos supostamente ocorridos em 2013, tratando-se, portanto, de uma prisão sem embasamento legal".

Ele acrescentou, segundo a emissora Globo News, que vai entrar com recurso assim que tiver acesso aos autos das investigações. O UOL não localizou as defesas de Zartha e de Gustavo Costa.

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