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Frota vê PSL como "ditadura bolsonarista": "não pode opinar que é expulso"

Do UOL, em São Paulo

19/08/2019 22h38Atualizada em 20/08/2019 03h38

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) disse ver o PSL (Partido Social Liberal), do qual foi expulso na semana passada, como uma "ditadura bolsonarista", que pune com expulsão toda e qualquer crítica feita ao presidente Jair Bolsonaro e seu governo.

"Você não pode falar nada, você não pode opinar que você é expulso, haja vista o que passou Santos Cruz, [Gustavo] Bebianno, todo mundo que cria divergência, dá opinião, é expulso, se torna ovelha negra, isso é uma ditadura bolsonarista", disse o deputado, ao ser entrevistado na noie de hoje no programa Roda Viva, da TV Cultura, transmitido ao vivo pelo UOL.

Frota citou o general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo, que não é do PSL, mas salientou estar se referindo ao partido ao falar em "ditadura bolsonarista", e não ao governo, embora, durante a entrevista, não tenha poupado Bolsonaro de críticas.

"Ele [Bolsonaro] está interferindo no Coaf, na Receita Federal, trocando o diretor da PF [Polícia Federal] no Rio de Janeiro, demitindo, mudando planos. Se não agrada, ele muda. Do Bolsonaro posso esperar tudo", afirmou.

Frota disse que Bolsonaro quer as coisas do jeito dele e só ouve quem ele quer. "E a gente tem que procurar um diálogo, e ele não está aberto a isso. Pelo menos comigo e com algumas pessoas com que você conversa, elas têm esse mesmo entendimento da maneira como ele se comporta hoje, com determinadas ações, coisas combinadas que se perderam no meio do caminho", disse.

O deputado citou como exemplos pessoas que estiveram ao lado de Bolsonaro na campanha e acabaram sendo deixados de lado, como o ex-senador Magno Malta, que não ganhou um cargo no governo, e o próprio Bebianno, exonerado em fevereiro.

"Bolsonaro quer se reeleger"

Frota disse que Bolsonaro tem pretensão de se reeleger e que por isso tem feito de tudo para "se mostrar". Disse achar, no entanto, que o presidente tem exagerado.

"Ele deveria falar menos em determinados momentos, nós só tivemos dois dias em que ele não falou. O dia em que o Twitter saiu do ar e o dia em que ele arrancou um dente."

Questionado se não sabia que Bolsonaro era desse jeito, Frota disse que não se deu conta. "Eu não enxerguei, acho que muitas pessoas não enxergaram também."

"Respeitar, não ser fantoche"

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Frota disse que votou muitas vezes de acordo com o PSL, mesmo não concordando com o partido, e que, por isso, não pode ser considerado um rebelde. "Eu não sou um rebelde. Você tem que respeitar o partido, mas não se tornar um fantoche do partido."

O deputado afirmou que o PSL vem cumprindo seu papel, mas poderia melhorar, e que hoje não pode ser considerado base do governo. "Se você me perguntar se o PSL é a base do governo, não é a base do governo. Se você contar com voto firmeza, são uns 20 ali, [que votam] sem dúvidas."

Para ele, o PSL não é um partido orgânico, "tem muitas divisões, muitas tribos, pessoas que pensam de maneira diferente, que assim como eu estão chegando naquele sistema que é bruto, é forte".

Três dias depois de ser expulso do PSL, Frota se filiou ao PSDB, tendo o apoio do governador de São Paulo, o tucano João Doria.

"Direita radical é o problema"

Frota disse que o seu maior problema hoje em dia não são as críticas recebidas por parte do PT (Partido dos Trabalhadores), mas as que vêm da militância de direita que existe nas redes sociais e que se mantém fiel ao presidente, independentemente do que ele fale.

"Com os [militantes] da esquerda eu já estou acostumado, não estou nem aí. Mas os da direita, pesada, radical, esses daí se tornaram inimigos, ameaças, coisas realmente que você precisa ter estômago para segurar. Mas faz parte do jogo."

O deputado afirma que muitos o criticam, dizendo que ele se valeu da popularidade de Bolsonaro para se eleger e que, depois, se voltou contra ele. "Fico vendo nas redes sociais, dizendo 'você surfou na onda de Bolsonaro'. Claro, ia surfar na onda do Haddad?", disse. "Tem muita ingratidão por parte dele [Bolsonaro], ajudei ele a se eleger, assim como ele me elegeu."

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