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Em 33 eventos militares, Bolsonaro busca contato direto com as tropas

Presidente Jair Bolsonaro (SPL) participa de cerimônia do Dia do Soldado no Quartel-General do Exército, em Brasília, em 23 de agosto. - Marcos Corrêa/Presidência da República
Presidente Jair Bolsonaro (SPL) participa de cerimônia do Dia do Soldado no Quartel-General do Exército, em Brasília, em 23 de agosto. Imagem: Marcos Corrêa/Presidência da República

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

02/09/2019 04h00

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) compareceu a 33 eventos de militares desde que tomou posse, em 1º de janeiro deste ano, uma média de um por semana nesses oito primeiros meses de governo.

O UOL analisou a agenda oficial do presidente até 30 de agosto e não considerou reuniões com ministros militares nem com comandantes das Forças Armadas no Palácio do Planalto.

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT), por sua vez, foi a somente um evento de militar no mesmo período de 2015, início de seu segundo mandato. Na ocasião, ela foi à solenidade de comemoração do Dia do Exército, no Quartel-General, em Brasília, em 16 de abril.

Não é possível fazer análise de comparação com o ex-presidente Michel Temer (MDB), que assumiu o mandato como presidente efetivo em 31 de agosto de 2016, após o impeachment de Dilma.

A Força mais prestigiada por Bolsonaro em sua agenda foi o Exército, do qual é capitão da reserva e com quem mantém diálogo privilegiado. Ao todo, o presidente participou de 14 solenidades do Exército: entre elas a entrega de espadins aos cadetes da Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), em Resende, no Rio de Janeiro, e a transmissão de cargo do Comando Militar do Sudeste, em São Paulo.

Em seguida, vem a Marinha, com seis eventos. Por último, a Aeronáutica, com três. O presidente ainda foi a dez compromissos militares que não faziam parte de uma Força em específica, como no Ministério da Defesa.

O mês mais movimentado em termos de eventos militares para o presidente foi janeiro -período de cerimônias de posse e almoços de confraternização. Fora do levantamento da reportagem, naquele mês, Bolsonaro supervisionou a troca da guarda presidencial no Planalto. Também se tornou comum sua participação no hasteamento da Bandeira Nacional no Palácio da Alvorada.

Em fevereiro, por outro lado, o presidente não foi a nenhuma solenidade de militares. Mas encontros com os três comandantes das Forças Armadas -general Edson Leal Pujol (Exército); almirante-de-esquadra Ilques Barbosa Júnior (Marinha) e tenente-brigadeiro Antônio Carlos Moretti Bermudez (Aeronáutica)- foram comuns em seu gabinete. À época, uma das principais discussões do governo girava em torno da reforma da Previdência dos militares.

O cientista político da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Sérgio Praça avalia que a ida frequente a eventos militares é uma maneira rápida de Bolsonaro aferir a lealdade e competência das Forças Armadas em seu governo. Segundo Praça, em geral, compromissos partidários costumam ser o principal foco de políticos, mas, com o atual presidente, foi dado um peso maior a cerimônias militares.

"Os militares no governo dele têm papel mais importante do que em qualquer governo desde 1985. Bolsonaro escolheu diversos generais como ministros e tem como claro critério de escolha, não só para ministro, mas, para o segundo e terceiro escalão, experiência militar. Por exemplo, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas", afirma.

A maioria dos eventos militares a que Bolsonaro compareceu aconteceu em Brasília, tanto em clubes quanto nas sedes das Forças Armadas. Outra parte, porém, ocorreu em São Paulo e no Rio de Janeiro, como quando viajou ao estado apenas para participar da cerimônia dos 211 anos do Corpo de Fuzileiros Navais, em março.

Presidente mantém linha direta com tropa

Em geral, os eventos são voltados aos oficiais de altas patentes das Forças Armadas. O presidente, porém, também faz questão de manter uma linha direta com a tropa. Em julho, Bolsonaro foi à formatura de curso de soldados -a patente mais baixa na hierarquia do Exército- paraquedistas no Rio de Janeiro.

O próprio presidente, quando na ativa, serviu na Brigada de Infantaria Paraquedista. Na solenidade, quebrou o protocolo ao sair do palanque e caminhar até o campo onde estavam os soldados.

"O meu curso de paraquedista não foi diferente do de vocês. A mesma porta do avião serve do general ao soldado, e do soldado ao general. Isso nos orgulha, isso nos une", declarou então em fala.

Jair Bolsonaro e o soldado Adão no 9º Grupo de Artilharia de Campanha em 1989 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Jair Bolsonaro e o soldado Adão no 9º Grupo de Artilharia de Campanha em 1989.
Imagem: Arquivo pessoal

Bolsonaro costuma evocar seu passado militar quando possível e se apresentar ao lado de aspirantes.

"Cada vez que eu compareci, no passado, a formaturas como essa, o mesmo sentimento. Essa foi a primeira escola na qual nos idos 1972 eu prestei concurso para ela. Eu me sinto um de vocês. Quis o destino que eu seguisse o caminho do também nosso glorioso Exército Brasileiro", declarou durante evento para comemorar o fim de curso de formação de sargentos da Aeronáutica, em junho.

Quando faz referências aos ministros em discursos, é comum usar a metáfora de que estes são "soldados" do Brasil. A atual gestão conta com sete militares entre os 22 ministros na Esplanada.

Quando deputado federal e antes de se candidatar à Presidência, Bolsonaro já participava de eventos militares e policiais. Em 2017, por exemplo, foi à formatura de soldados da Polícia Militar de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Este ano, repetiu o feito e foi à formatura da Polícia Militar de Goiás, em Goiânia.

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O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.