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Novo PGR: cotados para a equipe de Aras são da "velha guarda" do MPF

O subprocurador-geral da República Augusto Aras foi indicado por Bolsonaro para chefiar a PGR - Pedro Ladeira /Folhapress
O subprocurador-geral da República Augusto Aras foi indicado por Bolsonaro para chefiar a PGR Imagem: Pedro Ladeira /Folhapress

Eduardo Militão e Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

09/09/2019 20h47Atualizada em 10/09/2019 10h46

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) para procurador-geral da República, cargo máximo do Ministério Público Federal (MPF), Augusto Aras começa a montar sua equipe para a PGR (Procuradoria-Geral da República). A posse de Aras depende ainda da aprovação pelo Senado.

Procuradores familiarizados com a trajetória profissional de Aras apostam que ele vá buscar apoio em antigos integrantes do MPF, e de perfil político conservador, para integrar o primeiro escalão da PGR. É a chamada "velha guarda" da Procuradoria.

Até agora, Aras já convidou o ex-procurador Eitel Santiago para ser secretário-geral e o procurador ligado a grupos de direita Ailton Benedito, que chefia a instituição em Goiás.

Santiago aceitou o convite para ser o secretário-geral na gestão Aras. O cargo cuida da gestão administrativa e orçamentária da PGR. Já Benedito ainda não anunciou se aceitará integrar a futura gestão, em cargo que ainda não foi definido.

Importantes cargos, de nomeação pelo procurador-geral, ainda estão em aberto, como o vice-procurador-geral, que substitui eventualmente o efetivo, e o vice-procurador-geral eleitoral, representante da PGR na Justiça Eleitoral.

Também cabe ao chefe da PGR definir seus auxiliares que vão atuar, por exemplo, na área criminal, lidando com os processos da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal).

O grupo de pessoas próximas a Aras e que é cotado para fazer parte de sua equipe inclui o próprio substituto de Raquel Dodge em caso de vacância no cargo a partir do dia 17: Alcides Martins. Além dele, fazem parte dos colegas mais próximos Brasilino Santos, Luiz Augusto Lima, Haroldo Nóbrega. Todos são subprocuradores-gerais da República, último degrau na carreira do MPF.

Além das pessoas próximas, Aras têm admiradores que podem ser levados ao posto. Ontem mesmo, colegas enviaram mensagem no grupo de correio eletrônico dos procuradores, a chamada "Rede Membros", sugerindo a indicação do procurador regional Domingos Tenório. Apesar de apoiar o indicado, Tenório rejeitou a sugestão.

Eitel e Benedito foram elogiados por alguns colegas do grupo. O procurador Celso Três lembrou que, quando foi corregedor, Eitel apartou divergências entre "tuiuiús" e colegas "não alinhados" a eles.

Engavetadores-gerais

"Tuiuiús" é o nome do grupo que se opunha a Geraldo Brindeiro, procurador-geral durante a gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A referência à ave do Pantanal estava ligada à dificuldade de levantar voo durante a gestão dos tucanos. Brindeiro foi apelidado de "engavetador-geral da República" por não levar adiante denúncias contra o governo FHC, e não distribuir processos entre os subprocuradores-gerais.

Esse grupo conseguiu assumir a PGR quando FHC deixou o governo. Foi com ele que as maiores investigações de combate à corrupção do país aconteceram, como Lava Jato, mensalão, Cachoeira, Castelo de Areia.

Adversários de Aras entendem que esse perfil procuradores mais velhos ou sem experiência alguma com grandes operações policiais vá prejudicar o combate à corrupção.

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Aras se encontrou com Dodge

Na manhã desta segunda-feira, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se reuniu com Aras na sede da PGR. O mandato dela vai até o dia 17.

Segundo informou a Procuradoria, no encontro foram discutidos temas institucionais, como o orçamento da PGR, projetos em andamento e informações operacionais para o processo de transição no comando do órgão.

A indicação de Aras por Bolsonaro ainda precisa ser aprovada em sabatina no Senado (cuja data ainda não foi marcada) para que o procurador tome posse no comando da PGR.

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