PUBLICIDADE
Topo

Por reeleição em SP, Covas aposta em modernização na saúde e em zeladoria

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) - Eduardo Knapp/Folhapress
O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) Imagem: Eduardo Knapp/Folhapress

Aiuri Rebello

Do UOL, em São Paulo

07/10/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Prefeito de SP é pressionado no PSDB a se mostrar competitivo para eleição de 2020
  • Sem marca forte, Bruno Covas aposta na área da saúde e na zeladoria
  • Consultas à distância, prontuário eletrônico e novos hospitais são apostas na saúde
  • Orçamento da zeladoria urbana foi dobrado para o ano que vem

Sob pressão no PSDB para mostrar-se um candidato viável à reeleição da Prefeitura de São Paulo até as convenções partidárias no final do primeiro semestre do ano que vem, o prefeito Bruno Covas aposta em investimentos em tecnologia na área da saúde e em melhora da zeladoria urbana para conquistar uma marca forte e positiva do mandato e melhorar suas chances na disputa de 2020. Ele patina nas últimas simulações de intenção de voto entre possíveis candidatos ao comando da capital paulista (leia mais abaixo) e preocupa a cúpula tucana.

A vitória de um aliado em São Paulo no ano que vem é considerada passo essencial no plano político do governador João Doria lançar-se candidato à Presidência da República em 2022. Com medidas polêmicas na área dos transportes e sem marcas expressivas na educação, restou ao prefeito apostar tudo em melhoras visíveis na rede municipal de saúde e na zeladoria urbana, incluído aí o recapeamento de vias.

Na Saúde, ele tem dois trunfos.

O primeiro é a implantação do programa de consultas à distância com especialistas através da internet, que tem o potencial de desafogar a fila na rede municipal e a espera de atendimentos de dermatologia, reumatologia, neurologia, endocrinologia, pneumologia, cardiologia, ginecologia para o pré-natal de risco, psiquiatria (adulto e infantil) e alergologia. Com a tecnologia, um único médico poderia realizar consultas sucessivas com pacientes localizados em diferentes pontos da cidade, sem necessidade de deslocamento.

Promessa para metade da rede

O projeto-piloto está em implantação nas UBS (Unidades Básicas de Saúde) da região da Vila Marina e da Vila Guilherme, na zona norte da capital, e do Butantã, na zona oeste. Os hospitais municipais Vila Santa Catarina e Dr. Moyses Deutsch - M'Boi Mirim, na zona sul da capital, também recebem o programa piloto.

Até o final de 2020, a meta da prefeitura é que 50% da rede conte com a tecnologia.

"Com esse programa, a economia de tempo e recursos é muito grande", afirma Edson Aparecido, tucano histórico com experiência em várias administrações do PSDB, escolhido a dedo por Covas como secretário de Saúde de São Paulo no ano passado por ser visto internamente como bom gestor, capaz de entregar resultados concretos na área.

"Com o programa de teleconsulta, o especialista fica em uma central e realiza uma consulta com um paciente em alguma unidade da rede. Um clínico geral acompanha do lado de lá, e com isso conseguimos garantir a qualidade do atendimento e uma economia muito grande não só de tempo, recursos e profissionais, mas de logística", diz o secretário. "A consulta com o especialista acontece mais rápido, o diagnóstico é mais certeiro, pede-se menos exames, receita-se o remédio certo, o problema é identificado e tratado mais rapidamente, e isso tudo gera um ganho em cadeia que desafoga toda a rede de atendimento."

De acordo com Aparecido, a meta é que até o final do ano que vem a fila na rede municipal de saúde por uma consulta com médico especialista caia para até 20 dias em todas as especialidades. Hoje varia de acordo com a especialidade, mas chega a mais de 60 dias em alguns casos. A nova modalidade de consultas também deve diminuir a fila por exames de 44 dias para até 30 dias em média.

"Nesse primeiro momento não há custo, pois as OS (Organizações Sociais) parceiras da prefeitura tocam o projeto dentro dos contratos vigentes", afirma o secretário. "Nas unidades e hospitais próprios, vamos começar a comprar os equipamentos e realizar reformas necessárias a partir do ano que vem."

Chegou o dinheiro

A segunda boa notícia que Covas pretende dar à população de São Paulo na área da saúde é que começou a ser liberado o dinheiro de um empréstimo de US$ 100 milhões do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) contratado pela Prefeitura no início do ano. De acordo com o convênio, a Prefeitura vai investir outros US$ 100 milhões, tudo na área da saúde, até o final do ano que vem.

"É um aporte de dinheiro importante que vai permitir que façamos muitas coisas: vamos terminar e entregar os hospitais de Parelheiros [na zona sul] e da Vila Brasilândia [na zona norte]. Estamos reformando 300 UBS e vamos entregar mais 50 unidades novas", diz o secretário de Saúde.

Além disso, é com essa verba que a prefeitura pretende completar a implantação do prontuário de saúde eletrônico, compartilhado por toda a rede. "Só com o prontuário eletrônico e as teleconsultas, vamos ter um ganho de produtividade enorme. Com as novas unidades de atendimento e hospitais, o impacto na vida da população vai ser enorme e imediato", argumenta Aparecido.

Segundo o secretário, a rede municipal de saúde atendeu 9,5 milhões de pacientes em 2018. Estima-se que mais de 25% dos atendimentos em algumas áreas da cidade são de pacientes de fora de São Paulo, que vivem em outras cidades da região metropolitana.

Impacto visível na reta final

13.abr.2018 - Os moradores do Itaim Paulista, reclamam que o bairro tem muitos problemas de zeladoria. Lixo na avenida Academi9a de Sao Paulo com a rua Jeticarana. - Rivaldo Gomes/Folhapress - Rivaldo Gomes/Folhapress
Os moradores do Itaim Paulista, reclamam que o bairro tem muitos problemas de zeladoria (13.abr.2018)
Imagem: Rivaldo Gomes/Folhapress

Caso o planejamento da prefeitura dê certo, os resultados destas medidas devem começar a ficar mais visíveis a partir de meados do primeiro semestre de 2020, que representa a reta final da administração e o começo, na prática, da corrida eleitoral, com a definição de candidatos e alianças.

O mesmo pode-se dizer em relação à zeladoria urbana, que inclui o recapeamento de vias esburacadas. No ano que vem a despesa com a área será dobrada e passará de R$ 1,5 bilhão (valor deste ano) para R$ 3 bilhões, o que indica a aposta de Covas na área. Nos últimos anos, a média para a zeladoria urbana da capital era de R$ 500 milhões.

Nas projeções do prefeito e seu entorno, o ritmo forte na entrega destas obras na saúde e na zeladoria urbana devem refletir-se nas pesquisas em meados do primeiro semestre, diminuindo a desconfiança interna no PSDB e deixando o prefeito em uma situação mais confortável para disputar a reeleição.

De acordo com pesquisa de intenção de votos do Instituto Paraná Pesquisas divulgada em 26 de setembro, Covas amarga o terceiro ou o quarto lugar em todos os cenários testados para a eleição do ano que vem em São Paulo.

À sua frente aparecem nomes como o do jornalista José Juiz Datena, da TV Bandeirantes, e Celso Russomano. Datena já ameaçou concorrer à prefeitura algumas vezes, mas nunca concretizou a candidatura. Russomano já disputou, mas nunca conseguiu se viabilizar como um nome com chances reais a partir do início das campanhas eleitorais.

Mais preocupante para os tucanos do que os dois acima, o ex-governador Márcio França aparece na frente de Covas em todos os cenários. No cenário em que aparece melhor, Covas tem 12% das intenções de voto. A boa notícia para ele é que a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), pré-candidata que deve contar com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, está atrás em todas as simulações.

A pesquisa é um retrato atual da disputa, mas nada está definido um ano antes do pleito. Em 2012, Fernando Haddad (PT-SP) tinha 5% das intenções de voto nas primeiras pesquisas e foi eleito prefeito de São Paulo no segundo turno.

Política