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Após atacar imprensa, Bolsonaro diz que seu governo é dos mais democráticos

Jair Bolsonaro (PSL), presidente da República - Isac Nobrega/PR
Jair Bolsonaro (PSL), presidente da República Imagem: Isac Nobrega/PR

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

05/11/2019 18h20

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta terça-feira (5) que o seu governo é um dos mais democráticos dos últimos anos no Brasil. A declaração aconteceu na semana seguinte a ataques intensos contra a Rede Globo e à Folha de S.Paulo.

Os ataques da última semana, no entanto, não foram citados pelo presidente. Ele afirmou que nunca defendeu que a internet tenha que ser "domada" embora se considere uma das maiores vítimas de fake news nas eleições do ano passado.

A campanha de Bolsonaro, no entanto, é alvo de quatro ações de investigação por disparos em massa de mensagens com fake news nas eleições. No ano passado, reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que empresários pagavam a conta. E que os disparos em massa eram feitos por quatro empresas —Quickmobile, Croc Servives, Yacows e SMS Market— em favor de sua campanha.

O presidente voltou a criticar o trabalho de parte da imprensa. Segundo ele, "se dependermos apenas de uma imprensa, corremos o risco de ser réu sem crime e perdermos os nossos direitos sem ter o direito à defesa". Ele afirmou "lamentar" que parte da grande imprensa quer "colocar em seu colo" o assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) e questionou qual seria seu interesse no ato. Reportagem da TV Globo mostrou que um dos porteiros do condomínio onde Bolsonaro vive no Rio teria dito que um dos suspeitos do assassinato pediu para ir à sua casa no dia do crime.

O condomínio Vivendas da Barra, onde Bolsonaro tem casa, é o mesmo onde vivia o policial militar reformado Ronnie Lessa, apontado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil como o autor dos disparos que mataram Marielle e Anderson.

Em live durante viagem ao Oriente Médio, após a veiculação da reportagem, Bolsonaro ameaçou não renovar a concessão da Globo —que se encerra em 2023, mas que passa pelo crivo do presidente um ano antes. "Temos uma conversa em 2022. Eu tenho que estar morto até lá. Porque o processo de renovação da concessão não vai ser perseguição. Nem pra vocês nem pra TV nem rádio nenhuma. Mas o processo tem que estar enxuto, tem que estar legal."

Além do ataque à Globo, dias depois Bolsonaro ordenou que as assinaturas da Folha de S.Paulo fossem suspensas e aconselhou empresas a não anunciarem na publicação.

"Sabemos que, infelizmente, aqui no Brasil, existem alguns maus brasileiros que ficam o tempo todo maquinando como chegar ao poder. Não interesse por que meios. Não podemos admitir isso. O meu governo, eu duvido, que não seja um dos mais democráticos dos últimos anos. Afinal de contas, nunca falei em controle social da mídia. Nunca falei que a internet deve ser domada", disse nesta terça.

Bolsonaro disse sentir pela família das vítimas e querer que o crime seja solucionado. "Estaria primeiro contrariando meus princípios cristãos". Então afirmou esperar que a facada sofrida por ele durante a campanha eleitoral também seja desvendada. "Quem tentou matar Jair Bolsonaro?", questionou.

Em 2018, mesmo ano do atentado, a Polícia Federal concluiu que o autor do ataque, Adélio Bispo de Oliveira, agiu sozinho. Segundo a Justiça Federal em Juiz de fora (MG), Adélio é inimputável por sofrer de distúrbios mentais.

Em discurso, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, fez uma defesa da política adotada pelo Ministério das Relações Exteriores sob o comando de Ernesto Araújo e elogiou os colegas Damares Alves (Direitos Humanos) e Paulo Guedes (Economia). O ministro ainda citou a existência de uma "extrema imprensa", ao seu ver, caracterizada por apontar eventuais erros ou criticar o governo, papel de jornalistas em países democráticos.

O termo "extrema imprensa" tem sido usado pelos apoiadores de Bolsonaro para críticar os veículos de mídia não alinhados ao presidente.

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