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Convidada para Secretaria de Cultura, Regina Duarte enaltece Bolsonaro

A atriz Regina Duarte visitou o candidato Jair Bolsonaro (PSL) em sua casa no Rio de Janeiro durante a campanha eleitoral de 2018 - Reprodução/Twitter
A atriz Regina Duarte visitou o candidato Jair Bolsonaro (PSL) em sua casa no Rio de Janeiro durante a campanha eleitoral de 2018 Imagem: Reprodução/Twitter

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

18/01/2020 12h52

Convidada pelo presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) para substituir Roberto Alvim na Secretaria Especial da Cultura, a atriz Regina Duarte publicou uma foto exaltando números do governo federal, em seu perfil no Instagram, na manhã de hoje. A imagem de Bolsonaro é acompanhada de índices positivos, como a queda do número de homicídios e estupros no seu primeiro ano de mandato.

Na legenda, Regina escreveu: "Bom dia. Nunca é demais lembrar o tanto de respeito que este governo tem pelo seu povo". Ontem, a atriz afirmou que ainda não se "sentia preparada" para o cargo, mas prometeu dar uma resposta hoje.

Os comentários da foto divergiam quanto à possibilidade de Regina aceitar a Secretaria. Um dos seguidores da atriz escreveu: "Regina, o Brasil precisa de ti neste governo. Você não precisa mais provar nada a ninguém, tem um talento e uma competência ímpar!".

Logo abaixo, outra usuária que se identificava como fã do trabalho de Regina Duarte postou "Não aceite! Você não precisa se expor ao regime nazista e homofóbico, não deixa sua imagem queimar. Seja lúcida, aja como se fosse uma Helena de Manuel Carlos. Não se iluda a falsas promessas", pediu.

Bom dia . Nunca é demais lembrar o tanto de respeito que este governo tem pelo seu povo .

Uma publicação compartilhada por Regina (@reginaduarte) em

Ontem, logo depois da confirmação do convite, a hashtag "#AceitaRegina" figurava entre as dez mais comentadas do Twitter. A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) foi uma das que endossou a indicação da atriz para substituir Alvim.

"Aceita, Regina! Quem melhor do que você, mulher?", escreveu Janaina em seu perfil no Twitter.

A informação de que a atriz fora convidada para assumir a pasta foi divulgada pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. Alvim foi exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) depois de parafrasear Joseph Goebbels, ministro de Hitler, em vídeo publicado na noite de quinta-feira (16).

"Infeliz coincidência retórica"

Após a repercussão negativa, Roberto Alvim culpou sua assessoria pelo ocorrido e afirmou que o episódio foi uma "infeliz coincidência retórica" resultante de uma pesquisa no Google. Ele admitiu ter redigido 90% do pronunciamento, mas não se responsabilizou pelas frases copiadas de um dos textos do ministro da Alemanha nazista.

A ideia original, segundo o agora ex-secretário, era buscar discursos sobre o tema "nacionalismo em arte". "Qualquer pessoa com o mínimo de sanidade mental não pode ser cúmplice ou simpática a um regime que exterminou pessoas, um regime tão genocida quanto todos os regimes de esquerda ao longo do século 20", disse.

Exoneração de Alvim e reação de Bolsonaro

Em nota, o presidente Jair Bolsonaro definiu o pronunciamento de Alvim como infeliz e repudiou ideologias totalitárias. Segundo Bolsonaro, ainda que o ex-secretário tenha se desculpado, copiar falas de um ministro da Alemanha nazista tornou sua permanência na pasta insustentável.

"Comunico o desligamento de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura do Governo. Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência. Reitero nosso repúdio às ideologias totalitárias e genocidas, bem como qualquer tipo de ilação às mesmas. Manifestamos também nosso total e irrestrito apoio à comunidade judaica, da qual somos amigos e compartilhamos valores em comum."

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