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Bolsonaro confirma exoneração de Alvim e chama discurso de "infeliz"

Roberto Alvim, secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro - Clara Angeleas/Divulgação/Secretaria Especial da Cultura
Roberto Alvim, secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro Imagem: Clara Angeleas/Divulgação/Secretaria Especial da Cultura

Do UOL, em São Paulo

17/01/2020 13h12

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou hoje a exoneração do secretário de cultura Roberto Alvim após um pronunciamento que parafraseia um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista.

Em nota oficial, Bolsonaro definiu o pronunciamento como "infeliz" e afirmou repúdio às ideologias totalitárias.

"Comunico o desligamento de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura do Governo. Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência. Reitero nosso repúdio às ideologias totalitárias e genocidas, bem como qualquer tipo de ilação às mesmas", disse o presidente.

Bolsonaro também manifestou apoio irrestrito à comunidade judaica.

"Manifestamos também nosso total e irrestrito apoio à comunidade judaica, da qual somos amigos e compartilhamos valores em comum", afirmou.

Veja a nota:

- Comunico o desligamento de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura do Governo. Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência.

- Reitero nosso repúdio às ideologias totalitárias e genocidas, bem como qualquer tipo de ilação às mesmas.

- Manifestamos também nosso total e irrestrito apoio à comunidade judaica, da qual somos amigos e compartilhamos valores em comum.

>Presidente Jair Bolsonaro

Críticas

Na manhã de hoje, Alvim recebeu críticas do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que pediu no Twitter que o governo brasileiro o afaste imediatamente do cargo.

"O secretário da Cultura passou de todos os limites. É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo urgente do cargo", escreveu.

Também na manhã de hoje, Alvim foi criticado por Olavo de Carvalho, que escreveu, no Facebook, que o secretário "não está muito bem da cabeça".

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) disse, no Twitter, que o partido pedirá o indiciamento de Alvim pelo crime de apologia ao nazismo.

"Coincidência retórica"

Depois das críticas, o secretário foi ao Facebook se explicar.

O que aconteceu, segundo afirmou o secretário, foi uma "coincidência retórica". Ele disse que "não há nada de errado com a frase" e que a esquerda está "tentando desacreditar" a iniciativa.

"O que a esquerda está fazendo é uma falácia de associação remota", escreveu. "Com uma coincidência retórica em uma frase sobre nacionalismo em arte estão tentando desacreditar todo o Prêmio Nacional das Artes [programa anunciado na ocasião], que vai redefinir a Cultura brasileira".

Ele reforçou: "Eu não citei ninguém. O trecho fala de uma arte heroica e profundamente vinculada às aspirações do povo brasileiro. Não há nada de errado com a frase. Todo o discurso foi baseado num ideal nacionalista para a Arte brasileira. Não o citei e jamais o faria, mas a frase em si é perfeita".

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