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Com Regina, Bolsonaro usa 'fórmula' do PT e escolhe artista para Cultura

Lula e Gilberto Gil em foto de 2006 quando eles eram, respectivamente, presidente e ministro da Cultura - Sérgio Lima - 8.nov.2006/Folhapress
Lula e Gilberto Gil em foto de 2006 quando eles eram, respectivamente, presidente e ministro da Cultura Imagem: Sérgio Lima - 8.nov.2006/Folhapress

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

21/01/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Gilberto Gil e Ana de Hollanda foram ministros dos governos de Lula e Dilma
  • Atriz foi convidada por Bolsonaro para ser secretária da Cultura em seu governo

Com a provável entrada da atriz Regina Duarte no governo Jair Bolsonaro (sem partido), a gestão do presidente da República passa a ter um fato em comum com os governos do PT que o antecederam: a escolha de artistas famosos para o comando da pasta da Cultura. Bolsonaro convidou Regina para ser secretária da Cultura de sua gestão.

Considerada uma celebridade e com extensa carreira na TV, a atriz deverá assumir a função que já foi do cantor Gilberto Gil entre 2003 e 2008, período em que a Cultura tinha status de ministério. Gil esteve no governo em seis dos oito anos de gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

O cantor tentou deixar o governo em três oportunidades e só teve o pedido ouvido por Lula em 2008. Na época, Gil disse que "vinha enfrentando uma pressão um pouco maior das minhas atividades particulares". "Deixo o Ministério por demandas pessoais, mas com um certo ar de saudade", disse na ocasião.

Irmã de Chico Buarque

Já durante a gestão de Dilma Rousseff (PT), a cantora e compositora Ana de Hollanda, irmã do compositor Chico Buarque, foi escolhida para assumir a chefia da área da Cultura.

Ela permaneceu no ministério entre da posse de Dilma, em janeiro de 2011, até setembro de 2012. Ana acabou substituída pela então senadora Marta Suplicy, à época eleita pelo PT em São Paulo.

1.ago.2016 - Entrevista com a ex-ministra da Cultura Ana de Hollanda, no Rio de Janeiro - Marco Antonio Teixeira - 1º.ago.2016/UOL - Marco Antonio Teixeira - 1º.ago.2016/UOL
A ex-ministra da Cultura Ana de Hollanda
Imagem: Marco Antonio Teixeira - 1º.ago.2016/UOL

Sua trajetória no cargo foi turbulenta desde a chegada. A primeira medida que causou discórdia foi tomada com menos de um mês de Ana à frente da pasta: retirou do site da pasta a licença "Creative Commons", que permite ampla disseminação e cópia de produção cultural.

À época, a ex-ministra alegou que os textos divulgados por órgãos do governo federal já permitem isso sem restrições, mas não conseguiu aplacar a fúria dos adversários.

Convite a Regina

Bolsonaro foi pessoalmente ao Rio de Janeiro conversar com Regina, que o apoia desde a eleição de 2018 e costumava se manifestar nas redes em defesa do governo. A atriz, de 72 anos, se declara conservadora e alinhada ideologicamente à direita.

Após o encontro, ela disse que iniciaria a partir de hoje (21) um "período de testes" no novo cargo.

Regina substitui o dramaturgo Roberto Alvim, demitido da Secretaria Especial de Cultura (subordinada ao Ministério do Turismo) depois de copiar trechos de um discurso do nazista Joseph Goebbels, na semana passada.

Pelé e Zico

Personalidades do mundo esportivo também já assumiram cargos de poder no Executivo federal, com status de ministros. É o caso do maior ídolo do futebol brasileiro. Pelé exerceu a função de ministro extraordinário dos Esportes por pouco mais de três anos durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre janeiro de 1995 e 31 de dezembro de 1998.

A gestão do "Rei do futebol" foi marcada pela aprovação da lei que pretendia modernizar a relação de trabalho entre clubes de futebol jogadores. Ela ficou conhecida como "Lei Pelé" e acabou com a figura do "passe" nos contratos dos atletas, que passaram a ter vínculo empregatício (como se trabalhassem em uma empresa).

Também ídolo do futebol, Zico, um dos maiores craques da história do Flamengo e da Seleção Brasileira, exerceu o posto de Secretário Nacional de Esportes durante o governo Collor, entre 1990 e 1991. Também se empenhou em, por meio do Congresso Nacional, tentar modernizar a legislação esportiva.

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