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Política

Operação da PF e pressão do centrão teriam detonado nova crise com Moro

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

23/04/2020 17h39Atualizada em 23/04/2020 19h52

Resumo da notícia

  • Segundo integrantes da Polícia Federal, deputados do centrão pediram a Bolsonaro a saída do diretor-geral Maurício Valeixo
  • Sérgio Moro entrou em contato com o presidente, que abriu ao ministro da Justiça que deseja a troca de Valeixo
  • Ainda segundo essas fontes, Moro disse que, nesse caso, seria melhor ele próprio pedir demissão e deixar o ministério
  • O diálogo não evoluiu, e os dois ficaram de conversar novamente até o fim do dia

Setores da Polícia Federal receberam a informação de que o novo capítulo da crise entre o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem duas causas. A primeira é a insatisfação do centrão, grupo com pelo menos 200 parlamentares, com uma operação da PF em cima de prefeituras que receberam verbas para combater o coronavírus, ação apelidada de "Corona Jato".

Segundo os policiais ouvidos pela reportagem do UOL, deputados do centrão pediram a Bolsonaro para trocar o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.

Assim que saíram os primeiros rumores sobre a queda do diretor-geral, Moro entrou em contato com o presidente. Perguntou a ele do que se tratava. Segundo os policiais que levantaram as informações com pessoas próximas ao ministro, Bolsonaro afirmou que houve apenas um pedido do centrão para tirar Valeixo, e nada mais. Nos últimos dias, o presidente e deputados do centrão buscam uma aproximação.

No entanto, na mesma resposta a Moro, Bolsonaro abriu o que se tornou a segunda causa da crise de hoje. Ele aproveitou para relembrar ao ministro que deseja a troca de Valeixo. Uma fonte próxima ao ministro disse que Bolsonaro foi mais direto: pediu a demissão do diretor da polícia.

Segundo as fontes da polícia, Moro respondeu que, nesse caso, seria melhor ele próprio pedir demissão e deixar o ministério. O diálogo não evoluiu, e os dois ficaram de conversar novamente até o fim do dia.

A agenda de Bolsonaro registra uma reunião com Moro às 9h nesta quinta-feira (23).

Bolsonaro quis a saída de Valeixo em 2019

No final de agosto do ano passado, a crise entre Moro e Bolsonaro chegou ao nível máximo. O presidente pediu publicamente a demissão de Valeixo após a resistência do Ministério da Justiça e da Polícia Federal de retirar o superintendente da corporação no Rio de Janeiro, Ricardo Saadi —- Bolsonaro alegava problema de "produtividade", apesar de o Índice de Produtividade Operacional (IPO) da unidade fluminense mostrar melhora.

Uma fonte policial experiente foi informada de que, depois do episódio de agosto, Valeixo só ficaria no cargo até fevereiro de 2020. No entanto, isso não se concretizou. A cúpula da PF informou a esse policial que estava quase tudo resolvido. No máximo, Valeixo iria se tornar adido policial em meados de 2020, sem nenhum tipo de trauma.

No entanto, a notícia de hoje surpreendeu em parte a categoria. Um policial que acompanha o clã Bolsonaro há tempos contou que o presidente não confia em Valeixo, apesar de ele ser da confiança de Moro.

Bolsonaro quer um diretor da PF que seja da sua confiança, mas, para isso, a pessoa tem que passar pelo crivo do ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato.

Como essa coincidência de interesses não ocorreu até agora, as rusgas são frequentes, embora nem sempre sejam intensas. Às vezes, elas chegam à imprensa.

Uma fonte do Ministério da Justiça confirma o problema. "Moro não está contente com a saída do Valeixo da PF", disse ele à reportagem hoje, sob condição de anonimato.

PF investiga desvio de dinheiro no combate à covid-19

Hoje, a PF deflagrou a Operação Alquimia, apurando desvio de dinheiro no combate à covid-19 numa prefeitura do interior da Paraíba. A Controladoria Geral da União (CGU) participou da ação. O prefeito da cidade foi eleito pelo PSDB.

Em instantes, a operação foi apelidada de "Corona Jato" nas redes de apoio ao presidente Bolsonaro, inclusive no WhatsApp. "Vai ter esquerdalha saindo pelo ladrão...", dizia uma das mensagens.

Chefe de gabinete negou demissão, diz deputado

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Moro foi informado por Bolsonaro de que Valeixo sairia nos próximos dias. O ministro, então, teria pedido demissão e o presidente tentava demovê-lo da ideia.

Mais tarde, a assessoria do Ministério da Justiça declarou: "O ministro não confirma que tenha pedido demissão".

Às 15h40, o deputado Daniel Freitas (PSL-SC) disse que o chefe de gabinete de Moro lhe afirmou que "não houve pedido" de demissão.

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