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Novo diretor da PF é empossado meia hora após Bolsonaro anunciar nomeação

Do UOL, em São Paulo

04/05/2020 11h14Atualizada em 04/05/2020 15h20

Anunciado nesta manhã como novo diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza, até então membro da Abin, assinou termo de posse cerca de 30 minutos depois de Jair Bolsonaro confirmar pelo Twitter a nomeação publicada em decreto no Diário Oficial da União (DOU).

Na última semana, Bolsonaro chegou a anunciar Alexandre Ramagem para o cargo. Porém, antes da cerimônia em que o novo diretor tomaria posse, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes barrou, liminarmente, a nomeação. A decisão provocou indignação do presidente, que chegou a dizer que insistiria na escolha. Hoje, porém, ele confirmou Rolando, cuja indicação foi avalizada pelo próprio Ramagem, chefe da Abin.

Com o termo de posse já assinado, é incerto se haverá uma cerimônia oficial para a apresentação do nome que substituirá Mauricio Valeixo, exonerado por Bolsonaro há 10 dias. A atitude gerou crise com Sergio Moro, que pediu demissão do ministério da Justiça e Segurança Pública e fez várias acusações contra o presidente. As críticas viraram um inquérito aberto no STF.

Ao justificar a decisão de barrar a posse de Ramagem, Moraes lembrou que há um inquérito em curso para investigar as acusações de Moro contra Bolsonaro. Moraes chegou a mencionar a possível "irreparabilidade do dano" caso Ramagem assumisse a PF durante a apuração dos fatos relatados pelo ex-ministro.

A decisão gerou revolta de Bolsonaro, que o atacou o ministro do STF dizendo que não havia engolido o veto. Ontem, durante manifestação a seu favor e contra o STF e o Congresso, o presidente disse, sem citar ao que se referia, que não admitiria mais interferência em seu governo.

Rolando Alexandre de Souza assina termo de posse como novo diretor-geral da Polícia Federal - Isac Nóbrega/PR/Divulgação - Isac Nóbrega/PR/Divulgação
Rolando Alexandre de Souza assina termo de posse como novo diretor-geral da Polícia Federal
Imagem: Isac Nóbrega/PR/Divulgação

Souza já foi policial agente da PF antes de se tornar delegado. Foi corregedor da unidade da PF em Rondônia e chefe da unidade de Alagoas.

Reportagem do UOL mostrou que a aposta sobre ele havia crescido entre policiais, porque, com Ramagem impedido de assumir pela Justiça, só restaria um mandato-tampão. E, para assumir essa tarefa, a função só seria aceita por Souza, que já trabalha com Ramagem.

Outro fator que fez crescer seu nome foi o histórico na corporação. Apesar de não estar entre os mais experientes na casa, foi ele quem "desenrolou" o banco de dados Atlas, que reúne informações estratégicas para facilitar investigações da PF, narrou um amigo.

Segundo um delegado e um perito, o delegado é muito proativo e poderia fazer uma boa gestão, mesmo porque já chefiou a unidade regional de Alagoas.

Além disso, Souza liderou o setor de repressão a desvios de dinheiro público na sede da PF em Brasília. Isso o tornou conhecido de todos, o que desperta confiança, avalia um amigo. E também pacificaria a polícia, num momento de tensão e desconfiança de que Bolsonaro age para interferir em investigações e obter informações estratégicas indevidamente, como denunciou o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro à própria polícia.

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