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Gilmar Mendes: "Usar Forças Armadas como se fossem milícia é grave injúria"

Ministro Gilmar Mendes, do STF - ADRIANO MACHADO
Ministro Gilmar Mendes, do STF Imagem: ADRIANO MACHADO

Do UOL, em São Paulo

06/05/2020 22h14

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), criticou hoje menções feitas pelo presidente Jair Bolsonaro aos militares como base de apoio em meio à crise política vivida pelo governo com membros dos outros poderes.

Em live no site Focus.jor, Gilmar analisou o momento atual da política nacional. Sem citar diretamente o nome de Bolsonaro, o ministro disse que palavras que usam as Forças Armadas como "milícias" são uma "injúria" aos militares.

"Quem fala que vai usar as Forças Armadas para resolver problemas institucionais, como se elas fossem uma milícia sua, está na verdade cometendo uma grave injúria com as nossas Forças Armadas. Acho isso absolutamente impróprio", afirmou o ministro. "As Forças Armadas têm atuado desde 1988 cumprindo as regras que foram estabelecidas", completou.

No último domingo (3), durante ato pró-governo em Brasília, Bolsonaro disse que não admitiria mais interferência de outros poderes, como a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que barrou a nomeação de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal. O presidente afirmou que "as Forças Armadas estão com o povo".

Gilmar criticou as crises criadas dentro do próprio governo, como a saída do ex-ministro Sergio Moro (Justiça), em meio à pandemia que já matou mais de 8,5 mil pessoas no Brasil pela covid-19.

"No ano passado nós chegamos ao fim sem grandes dificuldades, mas esse ano veio a crise da pandemia, uma crise econômica, e uma crise política que não estava no plano. Temos aí um coquetel de crises", disse o ministro, que reprovou também o que chamou de "tumultos".

"É temerário, não ajuda num momento desses que estamos vivendo uma crise na pandemia, brutal crise econômica, em que o desemprego bate às portas, em que as pessoas estão precisando de ajuda, esse tumulto político certamente é totalmente dispensável", disse. "Vamos tentar unir esforços e força num sentido construtivo e positivo", pediu Gilmar.