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Witzel é citado como 'chefe supremo' em delação de empresário, diz revista

Governador é acusado em delação por empresário que admitiu compra de votos para Olimpíada - Gilvan de Souza/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
Governador é acusado em delação por empresário que admitiu compra de votos para Olimpíada Imagem: Gilvan de Souza/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

22/05/2020 09h22Atualizada em 22/05/2020 11h53

O empresário Arthur Soares, conhecido como "Rei Arthur", apresentou em março uma proposta de delação à PGR (Procuradoria-Geral da República) que coloca o governador Wilson Witzel (PSC) no centro de um esquema de corrupção para extorquir empresas prestadoras de serviços. Segundo reportagem da revista Veja, um dos anexos da delação faz menção a Witzel como "chefe supremo" do esquema.

Arthur é conhecido no Rio desde o governo de Sérgio Cabral (MDB) por ser um grande parceiro do ex-governador na prestação de serviços para o estado. Cabral hoje se encontra preso, condenado a mais de 200 anos de prisão por envolvimento em esquemas de corrupção.

Já Arthur, que é procurado pela Lava Jato, chegou a ser preso em outubro do ano passado em Miami, mas foi liberado horas depois. Na oportunidade, ele assinou um acordo de delação premiada no país, no qual assumiu participação em um esquema de compra de votos que favoreceu a escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016.

A proposta de delação do "Rei Arthur" que chegou agora à PGR acusa o governo de Witzel de atrasar propositalmente pagamentos a prestadoras de serviço para depois poder negociar propina. Segundo o empresário, o esquema teria rendido cerca de R$ 30 milhões em menos de um ano, cobrando valores que variavam entre 20% e 30% do total da dívida.

Pela proposta de delação, os operadores seriam o pastor Everaldo Pereira, presidente do PSC (Partido Social Cristão), e o secretário da Casa Civil e Governança, o ex-deputado federal André Moura, responsável pelas negociações da propina.

Arthur teria tido ciência do esquema quando precisou receber uma dívida de R$ 100 milhões com o estado fluminense, em julho do ano passado. Luiz Soares, seu irmão, foi informado que eles só receberiam a quantia se aceitassem pagar 20% do valor como propina. O acordo não foi firmado e o contrato de prestação de serviços foi suspenso.

Witzel como "chefe supremo"

A citação apontada pela delação como prova de que o governador participava do esquema aparece em um dos documentos anexados. O empresário Sérgio Serrano, que já foi sócio de Arthur, negociava a liberação dos pagamentos junto ao governo e diz que "a origem é o chefe supremo". Na conversa, Serrano também aponta a área da Saúde como o foco de atuação do esquema.

O relato faz paralelo com as denúncias recentes de esquema de fraudes e superfaturamento em contratos emergenciais firmados pela gestão de Witzel como medidas de combate à pandemia do coronavírus. Segundo as investigações, respiradores foram comprados a valores muito acima dos praticados no mercado e boa parte não foi sequer entregue.

O então secretário de Saúde, Edmar Santos, deixou o cargo após operações da Polícia Federal e do Ministério Público que prenderam suspeitos ligados ao suposto esquema, como o ex-subsecretário da Saúde, Gabriell Neves, número 2 da pasta.

O que diz o governador Wilson Witzel

Por meio de nota, o governo Witzel apontou que a reportagem se baseia em uma tentativa frustrada de delação junto ao Ministério Público Federal.

Segundo ele, os procuradores "descartaram a suposta denúncia pela sua fragilidade e pouca conexão com os fatos reais, como a própria revista admite".

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