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Bolsonaro volta a atacar Moro: dificultou posse de armas a pessoas de bem

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

01/06/2020 09h16Atualizada em 01/06/2020 12h14

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chamou hoje o ex-ministro Sergio Moro de "covarde" e afirmou a apoiadores que o ex-chefe da pasta da Justiça e Segurança Pública se dedicou a criar dificuldades para flexibilização de leis sobre porte e posse de armas.

Além de ser promessa de campanha eleitoral, o tema esteve presente em toda a carreira do mandatário, que é capitão reformado do Exército, ex-parlamentar e defensor ferrenho de uma política armamentista que atinja toda a população. Na reunião ministerial de 22 de abril que virou centro de um inquérito que apura suposta interferência de Bolsonaro na PF (Polícia Federal), o presidente avisou que quem fosse contra o armamentismo não deveria estar em seu governo.

No ano passado, Bolsonaro tentou mais de uma vez flexibilizar regras relacionadas a armas por meio de decreto presidencial, um ato de ofício que se sobrepõe à opinião de deputados e senadores. O Congresso, no entanto, agiu para barrar o texto e aprovou medidas que inviabilizaram as intenções do chefe do Executivo federal.

A declaração de Bolsonaro ocorreu durante um rápido encontro com apoiadores no Palácio da Alvorada, em Brasília, na manhã de hoje.

"Para vocês entenderem quem estava do meu lado, essa IN (Instrução Normativa) 131 é da PF, mas por determinação do Moro. Ignorou decretos meus para dificultar a posse de arma de fogo para as pessoas de bem", disse o presidente.

"Assim como essa IN, tem uma portaria também que o ministro novo revogou que, apesar de ter força de lei, ela orientava a prisão de civis", disse Bolsonaro hoje de manhã.

"Por isso que naquela reunião secreta o Moro ficou calado de forma covarde. E ele queria ainda uma portaria depois que multasse quem estivesse na rua... Perfeitamente alinhado com outra ideologia que não a nossa. Graças a Deus ficamos livres dele", completou.

Bolsonaro ainda voltou a defender a flexibilização de posse de armas legal.

"Arma legal não é para cometer crimes, mas para evitar crimes. Vagabundagem que sempre é defendida pela mídia tem arma ilegal. Tanto que a campanha do desarmamento nunca foi para cima de quem tinha arma ilegal, mas para cima do cidadão de bem. E naquela reunião reservada que foi classificada como secreta, não falei que o povo armado jamais será escravizado? O povo armado de forma legal."

Mais tarde, Moro publicou uma nota em suas redes sociais rebatendo as declarações de Bolsonaro.

"Sobre políticas de flexibilização de posse e porte de armas, são medidas que podem ser legitimamente discutidas, mas não se pode pretender, como desejava o presidente, que sejam utilizadas para promover espécie de rebelião armada contra medidas sanitárias impostas por governadores e prefeitos, nem sendo igualmente recomendável que mecanismos de controle e rastreamento do uso dessas armas e munições sejam simplesmente revogados, já que há risco de desvio do armamento destinado à proteção do cidadão comum para beneficiar criminosos", escreveu Moro.

Bolsonaro x Moro

Moro se tornou um adversário público do presidente desde que deixou o governo por discordar da exoneração do então delegado que estava no comando da Polícia Federal, Maurício Valeixo, homem de confiança do ex-ministro. O ex-juiz da Lava Jato pediu demissão e saiu acusando Bolsonaro de ter cometido crimes.

Segundo Moro, Bolsonaro tentou coagi-lo a aceitar a troca, sob pena de ser demitido. Isso teria ocorrido durante reunião ministerial realizada no dia 22 de abril. O impasse foi parar no STF (Supremo Tribunal Federal), que abriu inquérito para apurar se a conduta do presidente pode ou não ser interpretada como uma tentativa de interferência na PF.

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