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Empresário intimado por fake news admite que colaborou com atos pró-governo

Empresário Otávio Fakhoury é dono do site Crítica Nacional - Reprodução/Youtube
Empresário Otávio Fakhoury é dono do site Crítica Nacional Imagem: Reprodução/Youtube

Do UOL, em São Paulo

04/06/2020 14h46Atualizada em 05/06/2020 10h49

O empresário Otávio Fakhoury, intimado a depor no inquérito das fake news conduzido pelo STF (Supremo Tribunal Federal), admitiu que financiou manifestações a favor do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) ao disponibilizar caminhões para os protestos. Fakhoury também contou que já tinha feito o mesmo em 2016, durante os atos pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).

"As minhas doações de campanha são todas oficiais, com declaração ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral)", disse o empresário em entrevista à CNN Brasil. "Agora, no começo do ano eu colaborei com um caminhão, que na verdade a manifestação acabou minguando, tinha o covid, já tinha começado", completou Fakhoury sobre um protesto neste ano na Avenida Paulista, em São Paulo.

"Eu tinha naquele momento a ideia de ajudar um grupo que queria colocar um caminhão na Paulista numa manifestação. Isso numa situação normal. Eu fiz isso em 2016, durante as manifestações pelo impeachment. Muita gente fazia", contou o empresário, que é ligado ao site Crítica Nacional.

No inquérito das fake news, que apura principalmente ataques ao STF e às instituições, Fakhoury aparece como sendo integrante de grupos de empresários no Whatsapp que se organizavam para ações com cunho político. Ele admitiu sua presença em um grupo com Luciano Hang, dono da Havan, mas diz que não conhece Edgard Corona, o dono da rede de academias Smart Fit. Em contato com o UOL, Fakhoury afirma que não interagia com nenhum deles.

"Esses grupos foram formados para isso, para a gente se ajudar, juntar pessoas com os mesmos ideais, mesmas visões políticas, para se ajudar e promover ações como essas de manifestações de rua, por exemplo", explicou Fakhoury, negando, porém, que tenha investido no impulsionamento de publicações nas redes sociais.

"Eu já falei isso e vou repetir: sou favorável a todas as instituições brasileiras funcionando normalmente. Faço críticas às pessoas. As instituições têm que permanecer", se defendeu o empresário.

Fakhoury foi um dos alvos de 29 mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal na semana passada como parte do inquérito das fake news. Além de Hang e Corona, outras personalidades que estão na mira do STF são o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), a ativista Sara Winter, o deputado estadual Douglas Garcia (PSL), o blogueiro Allan dos Santos e o humorista Rey Bianchi.

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