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Quem é Cláudio Castro, o vice de Wilson Witzel no governo do Rio

O vice-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC) - Folhapress
O vice-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC) Imagem: Folhapress

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

11/06/2020 11h00

O vice-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), pode assumir o Executivo fluminense caso o impeachment de Wilson Witzel (também do PSC) se confirme.

Com perfil tido como "conciliador", ele era a aposta de Witzel para acalmar os ânimos de parlamentares da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) em meio aos atritos entre o agora ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Lucas Tristão e o Legislativo fluminense. Com os ânimos turbinados pelas suspeitas de fraudes em contratações emergenciais para o combate à pandemia do coronavírus, a missão ficou quase impossível.

Ontem, todos os deputados que se manifestaram em votação simbólica na Alerj optaram pelo início das investigações contra o governador.

Vereador e cantor gospel

Nascido em Santos (SP) e cantor gospel com dois discos já lançados, Castro cumpria o seu primeiro mandato como vereador na Câmara Municipal do Rio em 2018, quando foi escalado pelo PSC para ser vice-candidato do quase desconhecido ex-juiz federal que tentava a sorte na política.

A certeza de insucesso na empreitada era tão grande que, dias antes do primeiro turno, assessores já haviam redigido o pronunciamento que marcaria a sua volta à Casa Legislativa.

No entanto, com Witzel eleito na esteira do bolsonarismo, coube a Castro o papel de "antessala do governador", como passou a ser chamado ironicamente por prefeitos de interior do estado que tinham dificuldades de estabelecer diálogo.

Deputados estaduais também precisavam recorrer a Castro para conseguir um café com o chefe do Executivo.

"Só através do Cláudio a gente conseguia falar com o Witzel. Nunca foi fácil não", conta um prefeito da região serrana do Rio. "Witzel nunca teve saco para governar, para lidar com o Parlamento", resume um deputado do PSC.

Um vereador discreto

Ainda trabalhando como vereador, Castro teve um mandato considerado "discreto". Católico, mas filiado ao PSC —partido loteado por líderes evangélicos—, ele foi autor de projetos como o que criava o Dia do Escotismo. Em outro projeto, conseguiu a destinação de 10% das multas de trânsito para acessibilidade de pessoas com deficiência.

Apesar de fazer parte de um partido conservador, transitava bem nos corredores do Palácio Pedro Ernesto e, em 2017, promoveu uma audiência pública na Câmara. Entre as convidadas da mesa de debate estava a vereadora Marielle Franco, do PSOL, que seria assassinada em março do ano seguinte.

Apesar do bom relacionamento com Witzel, assessores e funcionários do Palácio Guanabara são unânimes ao dizer que "eles nunca foram amigos, mas se tratam bem".

Atualmente, pessoas próximas do vice-governador dizem que a grande preocupação dele é "não sair disso tudo com a fama de traidor". Por isso, o silêncio foi adotado. Entrevistas e pronunciamentos em redes sociais estão suspensos até segunda ordem.

Sobre a possibilidade de assumir o cargo de governador, Castro já desabafou com amigos que não esperava ver isso acontecer tão rapidamente. No horizonte dele, isto só poderia acontecer em 2022, quando Witzel deixasse o cargo para tentar a Presidência da República, como chegou a dizer que pretendia.

"Mas, resolveu brigar com Bolsonaro e defender o Tristão, deu nisso aí. Agora o Cláudio é quem pode segurar o rojão", conclui outro deputado.

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