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MP de Contas pede suspensão de salário de R$ 30 mil após Moro ganhar coluna

O ex-ministro Sergio Moro - Andre Coelho/Getty Images
O ex-ministro Sergio Moro Imagem: Andre Coelho/Getty Images

Do UOL, em São Paulo*

22/06/2020 18h46Atualizada em 23/06/2020 08h46

O Subprocurador-Geral Lucas Rocha Furtado entrou com pedido ao TCU (Tribunal de Contas da União) para que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, pare de receber salário no período de quarentena após ter deixado o cargo no governo federal. A justificativa é que Moro ganhou uma coluna recentemente na revista Crusoé e escreveu um artigo para o jornal O Globo.

A remuneração a posteriori é determinada uma vez que membros da cúpula governista são proibidos de prestar serviços à iniciativa privada por um período de seis meses após sua demissão, exoneração ou aposentadoria em razão do seu conhecimento sobre informações privilegiadas. Esse período de impedimento é chamado de quarentena.

Moro pediu demissão ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em abril de 2020, podendo receber o salário de aproximadamente R$ 30 mil até outubro.

"Privilegiado com a autorização da Comissão de Ética Pública, é de conhecimento que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sr. Sérgio Moro, vem acumulando funções em diversos veículos de comunicação, dentre os quais a revista Crusoé e o jornal O Globo", aponta Furtado. Apesar da afirmação do subprocurador, tanto O Globo quanto Moro reforçam que o ex-ministro assinou apenas um artigo para o jornal, não se tratando de um vínculo.

Para Furtado, é um "contrassenso" Moro receber recursos públicos até outubro — já que ele não pode exercer atividades privadas devido ao seu conhecimento de informações privilegiadas — e ser colunista ao mesmo tempo.

Furtado declara que não vê problemas na atuação do ex-ministro em jornais, desde que "não se valha das informações privilegiadas que detém", mas diz que há "irregularidade quando o ex-ministro recebe recursos públicos para deixar de trabalhar quando, em verdade, está trabalhando".

Apesar do pedido da procuradoria, a Comissão de Ética da Presidência da República decidiu, no início do mês, proibir o ex-ministro de advogar, mas autorizou aulas e artigos para a imprensa.

Moro rebate

Em nota, Moro disse a quarentena se refere ao "impedimento do exercício de advocacia e consultoria", mas não sobre as colunas. Ele defendeu o direito à liberdade de expressão.

""A Comissão de Ética Pública da Presidência da República, responsável pela definição das regras sobre a quarentena, autorizou o ex-ministro da justiça Sérgio Moro de publicar textos em colunas de veículos de comunicação, por se tratar do exercício da liberdade de expressão e por não gerar conflitos de interesse. Existe o impedimento, determinado pela referida Comissão, de atuar como advogado ou consultor no período de duração da quarentena".

*Com informações da Agência Estado

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou a matéria, Sergio Moro não tem uma coluna no jornal O Globo. Ele apenas publicou um artigo no veículo. A informação foi corrigida.

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