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Procurador pede apuração em contratos ligados a ex-mulher de Wassef

 O advogado Frederick Wassef e a empresária Cristina Boner passeiam juntos em jet ski - UOL
O advogado Frederick Wassef e a empresária Cristina Boner passeiam juntos em jet ski Imagem: UOL

Constança Rezende e Eduardo Militão

Colunista do UOL e do UOL, em Brasília

22/06/2020 20h04Atualizada em 22/06/2020 20h25

O Ministério Público de Contas pediu hoje uma investigação sobre os contratos celebrados pelo governo federal e a Globalweb Outsourcing, empresa ligada à ex-mulher e sócia do advogado Frederick Wassef, que defende o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

A medida foi tomada após reportagem publicada pelo UOL mostrar que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) pagou R$ 41,6 milhões entre janeiro de 2019 e junho deste ano à empresa fundada por Cristina Boner Leo, ex de Wassef, e administrada por sua filha, Bruna Boner Leo.

Na representação, o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado pede que seja verificado se houve atuação de Cristina, com a intermediação de Wassef, em eventual direcionamento das contratações à Globalweb Outsourcing.

O subprocurador quer apurar se houve eventual prática de tráfico de influência na contratação da empresa especializada em tecnologia da informação.

Furtado destaca que o volume de pagamentos à empresa teve aumento considerável durante a gestão Bolsonaro. Ele pede ainda que, caso sejam comprovadas irregularidades nas contratações, seja determinada, cautelarmente, a suspensão dos contratos e dos decorrentes pagamentos, "com a imediata realização de novas licitações".

"A despeito disso, o fato de a empresa estar vinculada, ainda que de forma indireta, à Sra. Maria Cristina Boner Leo — ex-esposa do Sr. Frederick Wassef, advogado do filho do Presidente da República, e mãe da Sra. Bruna Boner Leo Silva, sócia administradora da Globalweb Outsourcing —, associado ao aumento considerável no volume de pagamentos à Globalweb Outsourcing durante a gestão Bolsonaro, levanta suspeitas quanto à eventual prática de tráfico de influência, com vistas a favorecer empresa pertencente a pessoas que mantêm relação pessoal com a família do presidente", diz.

Ele afirma que apurou, junto ao Portal da Transparência e ao site do BNDES, a atuação da Globalweb Outsourcing não se restringe ao Ministério da Educação e àquela instituição financeira.

"Atualmente, encontram-se vigentes os seguintes contratos celebrados pelo Governo Federal com a referida empresa, sendo parte deles pactuada entre 2016 e 2018, com sucessivas prorrogações", diz o subprocurador.

O UOL apurou que os valores pagos à Globalweb em menos de um ano e meio da gestão Bolsonaro (R$ 41 milhões), já chegam aos pagos à empresa nos quatro anos de gestão compartilhada por Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB) — R$ 42 milhões.

A empresa presta serviços de informática e tecnologia da informação a diferentes órgãos da administração federal, como o Ministério da Educação e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social).

Segundo levantamento feito pelo UOL no portal da Transparência e Diário Oficial, os contratos que a empresa tinha negociado com governos anteriores foram prorrogados e receberam aditivos de R$ 165 milhões pela gestão de Bolsonaro.

Além disso, o novo governo fechou novos contratos com a Globalweb Outsourcing no valor de R$ 53 milhões — totalizando um compromisso de R$ 218 milhões a serem pagos pelos cofres públicos nos próximos anos.

Questionado, Wassef disse que os negócios da empresa não têm relação alguma com ele, acusou um ex-marido de Cristina de persegui-la e defendeu Jair Bolsonaro. A Globalweb e Cristina negaram "qualquer tentativa de vinculação de seus resultados ou das contratações como fruto de influência política". O Palácio do Planalto não se manifestou.

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